Folhetim: Diálogos com Mafalda (1)

18 de dezembro de 2011 em Folhetim

 

 

Crônicas das memórias do

repórter fotógrafo Mafalda

 

Estar com o repórter fotográfico Antônio Carlos Mafalda é ter a oportunidade de discutir a fotografia e o exercício do jornalismo, as questões éticas da profissão, saber das histórias que não f oram contadas e os bastidores da luta de resistência democrática durante a ditadura civil-militar de 1964.

“Conversas com Malfada”, primeira edição, visa saudar parte da dívida que tenho com o jornalista Antônio Carlos Mafalda, pois ficou faltando ele na série de matérias que fiz para a revista Mural, sobre a gênese do foto-jornalismo em Florianópolis – dos anos 1960 aos tempos atuais (2008). Por uma série de razões a série foi interrompida justamente quando tratava da pauta, que ficou depositada no escaninho das lembranças pendentes.

 

(FOLHETIM)

Conversas com Mafalda (1)

 

Por Celso Martins (texto e fotos)

 

Conversar com o repórter fotográfico Antônio Carlos Mafalda é sempre um prazer, também gratificante pelo que se aprende e apreende em poucas frases. Dialogar com o mesmo personagem quando ele está descontraído e fazendo uma das coisas de que mais aprecia – o famoso churrasco, mais produtivo ainda. Foi o que aconteceu no último sábado na residência do casal de jornalistas Anita Martins e Edu Cavalcanti, por conta da conquista do Prêmio FIESC de Jornalismo.

Por volta das 11 horas Mafalda chegou com a esposa, jornalista Imara, e a filha também fotógrafa Pedra. No interior do carro saíram os três, acompanhados de um kit churrasco completo: diferentes tipos de carnes, sal grosso, churrasqueira portátil, carvão, grelhas, espetos e, claro, cerveja. Em se tratando de Mafalda não é novidade. Quando trabalhou na Folha de São Paulo, na capital paulista, tinha no bagageiro do Fusca panelas e outros equipamentos suficientes para fazer carreteiro a qualquer lugar e momento. Até hoje, lembram disso por lá!

Aos poucos o kit churrasco foi sendo retirado. Mafalda comandou a operação. Instalada a churrasqueira portável e improvisada outra, ao lado, com tijolos de cimento, o primeiro passo foi despejar o carvão. O fogo foi acesso com duas bolas de papel amassado, ajeitada com as mãos sob pedaços de carvão, álcool e fósforos. Enquanto arde o braseiro ele prepara as carnes com sal grosso, separa as lingüiças e dá início ao processo. Em pouco tempo a fumaça com odor característico inunda o local.

Churrasqueiro Mafalda. Foto: Celso MartinsEnquanto exerce o ofício de assador de churrasco, auxiliado por Imara e Pedra, e degustando uma cerveja, depois uma caipira, ele solta o verbo e lembra primeiro dos tempos da infância em Palmeiras da Missões, sobretudo de seu pai, um gaudério típico dos pampas, envolvido em política até a medula, num tempo em que as diferenças era muitas vezes dirimidas pelas armas. Tempo em que o crime por excelência, como nos sertões de Santa Catarina, era o furto, não sendo admitidas “sacanagens”, muitas vezes punidas com a perda da vida. Foi quando a palavra empenhava valia mais que um cheque em branco e assinado.

Mafalda cresceu ouvindo as histórias do pai sobre a Revolução Federalista de 1893-1895, o conflito gaúcho de 1923 e o movimento armado de 1930, episódios dos quais participou de perto. E eu passei parte de uma manhã e o início de uma tarde ouvindo os relatos, procurando reter mentalmente alguns momentos e registrando fotograficamente os movimentos do repórter fotográfico. A conversa com breves interrupções para que churrasqueiro servisse os convidados prossegue no próximo episódio.

 

CONFIRA AS FOTOS

 

 

Share on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookPin on PinterestEmail this to someone