De-vez-em-quando (10.4.2013)

10 de abril de 2013 em Rosana Bond

 

 

De-vez-em-quando (10.4.2013)

 

 

. Belíssimo e oportuno o artigo de Elaine Tavares, publicado em 19 de março aqui neste portal.
Sob o título O racismo contra indígenas está vivo e passa bem, a jornalista trata da demarcação das terras guaranis no Morro dos Cavalos (município de Palhoça, SC), e do movimento de famílias não-índias, ocupantes da área, para receber indenizações. Atitude que, a propósito, os guaranis apóiam e acham justa.
Então por que esse grupo indígena vem, na imprensa e redes sociais, apanhando mais que bumbo de escola de samba?  
Elaine identifica o motivo: preconceito.
Concordo totalmente.

 

. Os ingredientes racistas e classistas ficaram nítidos nos comentários ogros colocados no caldeirão da internet. E seu sabor foi tão ruim que os próprios “cozinheiros” retiraram alguns, notando que a receita não agradou.
Não reproduzirei aqui as postagens que enojaram Elaine, pois estão devidamente incluídas e criticadas em seu vigoroso texto. Limito-me a fazer uma breve observação.    

 

. Tal observação é só para que vocês, queridos leitores, possam medir o tamanho da estupidez cultural-intelectual dos “maitres” dessa gastronomia malévola, empurrada goela adentro de pessoas desprevenidas.
Entre as ofensas postadas nas redes estavam piadas de péssimo gosto (segue válida aqui a nossa metáfora) sobre o uso de batom pela cacique da aldeia do Morro dos Cavalos.
“Santa” burrice Batman !!! – diria Robin.
Burrice odiosa, diria eu.

 

. Falo isso porque qualquer pessoa, medianamente escolarizada, sabe que os nativos brasileiros gostavam de adornos.
Como o povo guarani, hoje ainda etnicamente forte conforme a Antropologia, prefere não chocar a sociedade branca envolvente (por autodefesa e elegância diplomática, entre outros motivos), não utiliza fora da aldeia seus enfeites tradicionais.
Ou seja, não sai às ruas com as pinturas faciais que desejaria, com os cocares que desejaria, etc.
Assim, procurando preservar os costumes milenares, não é estranho, criticável, ou prova de desculturação, que mulheres guaranis usem batom ou outros tipos de maquilagem. É uma espécie de troca, simbólica e apenas circunstancial, de pinturas antigas por cosméticos modernos.
Entenderam, jumentos caluniosos?
(Com todo o respeito aos muares, animais de grande valia, ao contrário dos seus “congêneres” humanos.)

 

. O prefeito de Itu (SP) assinou lei municipal obrigando as companhias de água e luz a dar descontos de 5% nas contas dos consumidores, quando os serviços falham.
Não sei os detalhes da medida, mas já a estou achando uma baita ideia cá pra nós da ilha e continente.
Porque todos sabemos o que sofremos.
Alô, alô, prefeitada e vereadores de Floripa e municípios da Grande Florianópolis, que tal seguir o exemplo de Itu?
Alô, alô, usuários desrespeitados e injustiçados, que tal pegar no pé das “otoridades” para que o desconto aconteça aqui também ?  

 

. Volta e meia surgem na internet fenômenos de popularidade-relâmpago. Pessoas, grupos, blogs, espaços no facebook e twitter que de repente saem do anonimato e ganham milhões de seguidores num piscar de olhos.
Isso é assunto velho, todo mundo sabe.
Agora vem a novidade.
Especialistas estão chegando à conclusão de que o público, ao acreditar nesses sucessos estrondosos e repentinos, pode estar caindo feito patinho numa lagoa falsa, de miragem.
Dizem os caras que hackers e outras figuras têm gerado uma pá de celebridades artificiais pelaí.
Li na internet um estudioso do tema contando que pessoas (entre elas garotos) são contratadas por bandas de garagem, empresas interessadas em sucesso rápido, etc, para inflar o número de seguidores.
Atenção, brasileiros que acreditaram na cubana Yoani !
Tudo indica que a fama do blog da moça foi um caso desse, conforme matéria de Hugo RC Souza (Yoani Sánchez: garota-propaganda do capitalismo) publicada em março, na edição nº 105 do jornal A Nova Democracia.

 

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