Um Peabiru através do litoral

1 de agosto de 2013 em Rosana Bond

 

De-vez-em-quando

Por Rosana Bond

 

. Depois de uma intensa (mas agradabilíssima) gestação literária, agora já posso contar aos leitores a descoberta contida em meu próximo livro, que em breve sairá da “maternidade”.
É uma novidade histórica que me impactou porque, estudando o Caminho de Peabiru por tantos anos (desde 1995), tinha o atrevimento de achar que já sabia tudo sobre ele.
Que nada, o “ultrassom” mostrou que estava errada.

. Mas vamos ao que interessa.
Fuçando materiais para esclarecer certos pontos do trajeto do Caminho a amigos idosos e também a meu pai, todos apaixonados pelo Peabiru, acabei encontrando um “tesouro”, como contei na última coluna.
O achado, na verdade, foi uma série de documentos e mapas antigos que me indicaram a existência de um “outro” Peabiru numa região que ninguém tinha apontado antes: o litoral.
Isto é, os papéis revelaram que houve um caminho indígena que percorria as praias do Rio Grande, S. Catarina, Paraná, S. Paulo e Rio de Janeiro, sem qualquer interrrupção, por nada menos que 1500 quilômetros !!!

. E mais importante: era uma trilha ligada ao Peabiru transcontinental (que unia o Atlântico ao Pacífico), constituindo um ramal litorâneo daquela enorme “estrada” !!!
A ligação era geográfica e também religiosa. A mesma busca indígena do paraíso (Terra Sem Mal) que envolvia o Peabiru grande, igualmente norteava o seu ramal, menor.
Até agora não se sabia disso.
A rota praiana, ainda guardada na memória dos guaranis atuais como o “caminho antigo da beirada do oceano”, é um fato que vive em silêncio.

. Por esse motivo é que o novo livro terá o seguinte título: História do Caminho de Peabiru – O milenar, “desprezado” e pouco estudado ramal litorâneo.
Milenar por ter sido usado pelos índios desde pelo menos 1500 anos atrás.
“Desprezado” porque os portugueses só reconheceram oficialmente sua existência e importância dois séculos após terem desembarcado no Brasil.
Pouco estudado porque, num equívoco, foi visto por pesquisadores como um caminho “natural”, sem interferência da mão do homem. Ou, no máximo, como uma rude trilha indígena presente apenas em trechos descontínuos da costa.

. Além de apresentar os escritos e mapas que chamei de “tesouro”, a obra contém um numeroso material, mais moderno, de Antropologia, Etnologia, Arqueologia e História. No todo, mais de 120 fontes bibliográficas.
Aos moradores de Barra Velha, Jaraguá do Sul e outras cidades do vale do rio Itapocu será dedicada uma surpresa, que estará num Anexo ao final do livro. Trata-se de um estudo inédito que realizei sobre os “Itapocus”, um conjunto de locais com tal nome, no Brasil e Paraguai, que os guaranis utilizavam como sinalizador do Peabiru. Ou seja, através dos topônimos Itapocu a tribo indicava a passagem do Caminho naqueles pontos.

. A nova publicação fará parte da série História do Caminho de Peabiru – Descobertas e segredos da rota indígena que ligava o Atlântico ao Pacífico, da qual já existem os Volumes 1 e 2, editados pela Aimberê (RJ).
Será um Volume Extra, que devemos lançar em Sambaqui, no restaurante Posto da Alfândega, em setembro.
O plano de fazer o evento em agosto, para homenagear meu pai em seu aniversário, teve que ser adiado. Atribulações do prelo, às que os escribas já estão acostumados…
Menos mal que o velho Bond não reclamou. Eterno incentivador, o que ele quer é ver o “neto” de papel berrando saudável nos braços dos leitores. Corujaço!

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