De-vez-em-quando

3 de setembro de 2013 em Rosana Bond

Por Rosana Bond

+ A data de lançamento do nosso livro foi marcada: 12 de setembro. Acontecerá em Florianópolis, no restaurante Posto da Alfândega, ponta de Sambaqui, das 19 às 23 horas. Uma comidinha gostosa será brindada aos presentes, pela qual desde já agradeço ao César e equipe.

. O novo “filhote” se chama História do Caminho de Peabiru – O milenar, “desprezado” e pouco estudado ramal litorâneo, será publicado pela Aimberê (RJ), terá 92 páginas e formato de apostila.

+ No lançamento haverá duas atividades culturais. Curtas, para não cansar ninguém.
O jornalista Celso Martins, editor do Daqui na Rede, fará uma sessão de eslaides. Apresentará fotos inéditas, tiradas por ele, de sambaquis com 5 mil anos de idade.
Os sambaquis são “montanhas” de conchas de mariscos, erguidas por índios antigos, em cima das quais eles habitavam. São maravilhas arqueológicas contendo objetos de pedra polida, pontas de lanças e de flechas, pulseiras e colares primitivos, e até esqueletos.
Os sambaquis das praias catarinenses figuram entre os mais importantes do Brasil, têm fama internacional, mas estão sendo destruídos há décadas pelo homem branco.

+ Além das fotos do Celso, vamos tocar duas músicas de um CD dos índios guaranis, traduzindo as letras e mostrando como o caminho litorâneo era (e ainda é) importante para a tribo. Esse caminho ou ramal, que passava na beira das praias de S.Catarina, é o tema do nosso livro. Na verdade, tal “estrada” ia do RS ao RJ, e ainda é tida como sagrada pelos guaranis.

+ Sagrada porque, como comprovam estudos acadêmicos, ao trilhá-la os indígenas esperavam encontrar os deuses na orla marítima, ou serem encontrados por eles. A esperança era que as divindades os transportassem à Terra Sem Mal, um paraíso localizado no oceano Atlântico.
Resumindo, poderíamos chamar a rota praiana de “caminho dos deuses” ou “caminho de buscar os deuses”.

+ A quase desconhecida história dessa rota, que confirmamos em documentos, mapas e textos da Antropologia e da Etnologia, não serve como uma obra a ser curtida apenas por especialistas ou intelectuais.
Serve a um público muito mais amplo, inclusive no aspecto turístico. Explico. Todos sabemos que há municípios do litoral que só têm movimento econômico no verão, quase “morrendo” no resto do ano. Hoje quantas cidades praianas (ou bairros dessas cidades) gaúchas, catarinenses, paranaenses, paulistas e cariocas não ficam estagnadas por meses a fio, procurando avidamente atrativos extratemporada que evitem seu empobrecimento? Incontáveis, inúmeras.

+ Se um antigo caminho sagrado, ou melhor um “caminho dos deuses”, ramal do famoso Peabiru, passava por elas, será que a coisa não muda de figura no que tange ao turismo cultural-histórico? Será que organizar peregrinações por tal caminho não seria um atrativo suficiente para trazer turistas/caminhantes a essas cidades (ou bairros) fora do verão?

+ Quero lembrar aqui que a modalidade peregrinação costuma beneficiar justamente aquelas atividades econômicas que mais sofrem com a “paradeira” sazonal. Desse modo, a presença de peregrinos poderia auxiliar principalmente os pequenos comércios, os pequenos hoteleiros (pousadas), os pequenos restaurantes, os pequenos artesãos (que passariam a produzir cajados; camisetas alusivas; lembrancinhas; alimentos caseiros tais como geléias, bolos, pães, etc).
Isso sem falar dos adolescentes, que talvez se afastassem do risco das drogas ao receberem um curso de guia turístico, passando a trabalhar nessa agradável profissão.

+ A idéia não é nova. Há anos um pequeno grupo apaixonado pelo Peabiru (ao qual eu e meu pai, Rosnel Bond, pertencemos) a tem apresentado a municípios de SC, PR, SP.
Importante: nenhum de nós pede pagamento por isto. Somos apenas motivadores. É uma idéia aberta, livre, leve e solta.
A qual hoje, com variações locais, funciona em Pitanga (PR), Campo Mourão (PR) e cidades do interior e do litoral paulista. Em SC, um Parque Natural Municipal Caminho do Peabiru foi implantado em Barra Velha para sediar caminhadas com guias/monitores. A atual gestão da prefeitura, porém, o tem mantido fechado.

+ Com o novo livro, surge um fato diferenciador.
Se antes estimulávamos as peregrinações apenas no trajeto histórico do Peabiru (Atlântico ao Pacífico) majoritariamente interiorano, leste-oeste e vice versa, agora o roteiro aumentou.
Ou seja, comprovada a existência do ramal litorâneo, o “caminho dos deuses”, muitos municípios praianos passam a fazer parte do contexto cientificamente embasado para promover caminhadas peabiruanas.

+ Os leitores que vivem em praias empobrecidas pela sazonalidade, desejosos de ver a situação melhorar, podem estar se perguntando: mas como vou saber se minha cidade possui um trecho desse caminho sagrado?
O livro responde.
Nele colocamos um traçado, município por município. Desde o RS até o RJ.
A idéia do nosso grupo segue viva: queridos leitores solidários, reúnam os historiadores de sua comunidade e os representantes dos setores econômicos afetados. Analisem as informações do livro, as aperfeiçoem com seus próprios conhecimentos e … lancem um projeto de peregrinação!
Não precisa esperar pela iniciativa do prefeito, que talvez nunca aconteça.
Mãos à obra !

 

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