Fotos de Velho Bruxo e livro de Caminha

4 de setembro de 2013 em Festa do Divino 2013, Galeria de imagens

 

Foto: Celso Martins

Foto: Celso Martins

“Bom dia ouvintes do Manhãs de Sábado” de Paulo Ricardo Caminha e uma exposição de fotos de Edson Luiz da Silva (Velho Bruxo), marcaram a noite de terça-feira da Festa do Divino. Confira a programação de hoje (quarta) e amanhã (quinta)

Uma exposição de fotos dos festejos do Divino e o lançamento de um livro sobre o universo cultural de origem açoriana tiveram um toque peculiar: o professor Nereu do Vale Pereira chegou ao salão da igreja de Santo Antônio cedo, cumprimentou alguns presentes, deu uma volta e se recolheu a um canto, encostando no ouvido direito um radinho de pilha.

Atento no Avai. Foto: Celso Martins

Atento no Avai. Foto: Celso Martins

“É o jogo do Avaí”, disse. Seu time do coração jogava contra o Boa Esporte no estádio Melão, em Varginha-MG, valendo uma vaga no G-4 da Série B do campeonato brasileiro. É possível que se o jogo fosse na Ressacada ele enviasse um representante ao evento realizado terça-feira (3.9) à noite.

Ao ser iniciada a cerimônia Nereu teve que largar o rádio, deixado nas mãos de uma neta que continuou a acompanhar o jogo com um par de fones de

ouvido. Qualquer novidade transmitiria ao avô. Tudo isso aconteceu sem nenhum alarde, pois os descendentes dos imigrantes açorianos chegamos ao litoral catarinense à partir de 1748 primam pela discrição dos atos.

 

Velho Bruxo. Foto: Celso Martins

Velho Bruxo. Foto: Celso Martins

As fotos
“Tirando o boi de mamão são as festas do divino que mais me atraem na cultura da Ilha”, explica o fotógrafo Edson Luiz da Silva (Velho Bruxo), colaborador do Daqui na Rede, diante das fotos expostas no salão da igreja de Santo Antônio de Lisboa.

Mostrando diferentes momentos das festas do Divino nos últimos anos, as fotos poderão ser vistas até domingo (8.9) no mesmo local. Ao todo são 16 quadros, alguns com uma única foto, outros apresentando uma série de imagens. “Reuni num mesmo espaço as diversas coroas usadas, por exemplo”, salienta Bruxo.

O engenheiro Luiz Teixeira do Vale Pereira, ao apresentar o fotógrafo e sua exposição, destacou o “trabalho delicado, a sensibilidade e o carinho especial pelas coisas e as pessoas da nossa terra”. Depois disso cobrou dizendo: “Velho Bruxo tem muito material escondido que precisa ser mostrado”. Ao falar, o fotógrafo resumiu dizendo que “todas as fotos foram feitas com carinho e amor”.

O livro
O historiador Sérgio Luiz Ferreira revelou que há cerca de 10 ou 15 anos poucos moradores dos Açores sabiam alguma coisa sobre Santa Catarina. Depois que o programa Manhãs de Sábado conduzido por Paulo Ricardo Caminha entrou no ar, “passamos a ser conhecidos pelo povo daquelas ilhas”, disse, lembrando que até os taxistas sintonizavam a emissora nos horários do programa.

Ele fez estas observações ao apresentar o autor de “Bom dia ouvintes do Manhãs de Sábado”, lançado inicialmente nos Açores em junho último e pela primeira vez no Brasil na noite da última terça-feira em Santo Antônio de Lisboa. “Foi graças a esse programa de Paulo Ricardo Caminha que passamos a ser conhecidos entre os açorianos de lá”.

Sérgio também fez uma defesa da “açorianidade” das populações do litoral catarinense, rebatendo a tese acadêmica do “açoriano inventado” no 1º Congresso Catarinense de História realizado em 1948. “Minha avó era uma açoriana típica na linguagem e nos costumes, mas não se dizia açoriana, pois ser açoriano é mais que dizer ser”.

O professor Nereu do Vale Pereira, mesmo com a cabeça voltada para o jogo do Avaí, aproveitou a deixa de Ferreira e destacou que duas localidades da Ilha foram importantes para a cultura de origem açoriana, desde a chegada dos imigrantes aos dias atuais, referindo-se a Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha. “Não foi no Centro da cidade mas nestas duas localidades que se instalaram e a partir de onde se espalharam os imigrantes”.

Caminha e ao fundo o professor Nereu do Vale Pereira

Caminha e ao fundo o professor Nereu do Vale Pereira

A importância do referido Congresso de História realizado em janeiro de 1948, visando comemorar os 200 anos da imigração açoriana, foi assim resumida por Vale Pereira: “Eles saíram do esquecimento em que viviam para a situação atual de orgulho em ser descendente destes açorianos”.

Caminha
O autor da obra começou a fala agradecendo o apoio da Irmandade do Divino Espírito Santo de Santo Antônio de Lisboa ao lançamento e terminou com uma homenagem à senhora Diamantina da Luz, mãe da festeira Nilda Marciano. “Vamos fazer uma festa muito bonita, pois isso vai unir ainda mais a comunidade”.

No meio do discurso enfatizou a emoção de estar lançando o livro em Santo Antônio, “o lugar que o nosso grupo adotou há 10 anos”, fonte de inspiração para as crônicas do Manhãs de Sábado reunidas no livro. “Chegamos a fazer transmissões até da sacristia da igreja”, lembrou. Depois disso começou a sessão de autógrafos e Caminha mal teve tempo de respirar, escrevendo na página inicial dezenas de dedicatórias.  A música ficou por conta de Nilo Conceição (Nilera) do grupo Gente da Terra e grupo.

Editado por Luiz Teixeira e Berenice do Vale Pereira, com selo da editora Nova Letra, o livro apresenta belas ilustrações de Maurício Muniz. Em Santo Antônio a obra poderá ser adquirida à R$ 15,00 na Óptica Brasil.
PROGRAMAÇÃO DA FESTA DO DIVINO

A missa dos Juízes da Festa do Divino, celebrada pelo padre Pedro Paulo Alexandre, abre a programação dos festejos nesta quarta-feira (4.9) às 19h30.

Em seguida, no salão paroquial acontece mais um Risoto do Divino à partir das 21 horas. A música ficará por conta de Marcelo Muniz e o Grupo do Engenho dos Andrade.

Na quinta-feira (5.9) acontece o 9º Cozido do Divino, gratuito, iniciativa de Paulo Ricardo Caminha e seu grupo, representando a partilha, uma das características fundamentais do Divino Espírito Santo. Também haverá o show Cantares da Ilha de Santa Catarina.

Antes do Cozido, às 19h30, haverá missa dos casais imperiais dos anos anteriores, celebrada pelo padre Leandro Pereira da Silva.

FOTOS DO LANÇAMENTO E ABERTURA DA EXPOSIÇÃO, por Celso Martins.

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