Anita e Edu nas terras de Shiva (1)

6 de março de 2014 em NAS TERRAS DE SHIVA

 

Anita e Edu em Kochi no dia  28.2.2014. Auto retrato com a câmera do computador

Anita e Edu em Kochi no dia 28.2.2014. Auto retrato com a câmera do computador

“Só liguei para dizer que está tudo bem, estamos num lugar ótimo, com uma vista espetacular”, disse há pouco por telefone a jornalista Anita Martins, falando de Chinnakanal, vilarejo da região de Munnar (Idukki/ Kerala), sul da Índia. Ou seja, ela e o marido, o foto-jornalista Edu Cavalcanti, estão no interior do interior indiano, cerca de 1.600 metros acima do nível do mar, cercados por plantações de chás a perder de vista pelos vales e montanhas.

A pousada onde estão é tocada por uma família muito gentil. Apesar das boas instalações e da qualidade das refeições, o local não possui internet. Chama-se Thampuran’s Residency e “nem adianta procurar que não acha na rede”, diz Anita. Talvez alguém encontre, tentei em vão. Os dois vão aproveitar os próximos dias para transcrever gravações.  Têm que estar em Bangalore no próximo dia 12.

 

Relembrando

Após as gravações do documentário sobre os aborígenes no oeste australiano, Anita e Edu permaneceram alguns dias naquele país (Melbourne) preparando a viagem para a Índia. Partiram às 10 horas do dia 24 de fevereiro, enfrentando 17 horas de viagem com escala em Kuala Lumpur (Malásia).

25 de fev, 6h35 (hora do Brasil) – “Chegamos bem em Kuala Lumpur. Agora estamos esperando o vôo pra Kochi. Chegando lá, o dono da pousada vai buscar a gente. Vamos ficar num lugar chamado Immanuel Homestay. Beijos!”

26 de fev, 4h34 (hora do Brasil) – “Chegamos em Cochin [Kochi], tudo certo. Já estamos instalados. O lugar é bem bonitinho. Amanhã mandamos mais notícias porque aqui é uma da manhã e estamos bem cansados da longa viagem. Beijos”.

 

Relato da estada em Kochi (Cochim) pelo talk do Skype

28.2.2014, 7:36 (hora do Brasil)

Ontem foi dia de Shiva e tivemos um dia bem cheio. Fomos ao templo de Shiva daqui, durante o dia e à noite, vimos os preparativos e depois celebrações. Foi beeem legal, mas bem cansativo também. Muito sol, muita gente, muita caminhada.

Pesca segundo a técnica chinesa. Foto: Governo de Kerala

Pesca segundo a técnica chinesa. Foto: Governo de Kerala

Foi muito interessante. Vimos gente pagando ou fazendo promessa (não sabemos) rolando pelo chão, as dança de Shiva e Parvati.

Ficamos na fila para entrar no templo. Éramos os únicos ocidentais. Vimos as oferendas, os desenhos com areia colorida.

Durante o dia, estávamos lá quando a imprensa chegou, vimos coleguinhas trabalhando, a galera do templo fazendo as preparações só para a imprensa, e depois pararam pra descansar. Foi massa! Montaram um palco do lado de fora do templo, no quintal do templo.

Na volta do templo, durante o dia, ainda passamos numa sala de leitura, depois encontramos um muçulmano que ficou falando com a gente sobre política, sobre os jornais da região. Edu tirou fotos, o cara era um figura. Passamos numa loja de temperos, não compramos nada, claro, mas as mulheres explicaram tudo pra gente, deram temperos pra gente cheirar. Não imaginas o cheiro de loja, a mistura de tudo quanto é especiaria.

[Sobre as marcas da centenária presença portuguesa] Aqui na pousada eles são cristãos. Fomos a um restaurante chamado Casinova [em Fort Castle, Fortcohin, Kochi]. Tem igreja São Franscisco, hotel chamado Casa Linda, praça Vasco da Gama e um monte de denominações de Maria. Em tudo quanto é lugar aqui se vê a presença dos portugueses.

Hoje [sexta, 28.2] vamos dar mais uma volta por aqui. Vamos na praia ver uma técnica de pesca que eles usam dos chineses.

 

Plantações de chá em Munnar. Foto: Governo de Kerala

Plantações de chá em Munnar. Foto: Governo de Kerala

Montanha acima

Nos primeiros de março corrente Anita e Edu embarcaram num ônibus rumo a Munnar, famoso centro de cultivo de chás. Seguiram num coletivo modelo antigo, com portas de correr como as de algumas lojas, morro acima, levantando poeira e parando todo o tempo para descida e subida de passageiros. “O motorista era louco mas muito habilidoso, pois numa velocidade daquela por curvas beirando precipícios ele não bateu”, conta Anita. Levaram cinco horas para percorrer 90 quilômetros.

Numa dessas paradas, Edu desceu para comprar uns salgadinhos. O motorista havia dito que demoraria tantos minutos mas passada metade do tempo previsto ligou o motor e começou a andar. Anita se levantou do banco e avisou que o marido havia ficado e o chofer parou. “Chuchu, Chuchu”, começou a gritar Anita para Edu, com a metade do corpo para fora da janela, sob olhares de espanto e os risos de alguns passageiros. Até que alguém foi até o lugar onde Edu deveria estar e o trouxe de volta exibindo os salgadinhos como se fossem troféus.

Tendo chegado ao destino à noite, tiveram dificuldades para localizar a pausada em que fizeram reservas, a Double Tree Villa. Um casal dono de outra pousada os ajudou, encaminhando-os a dois funcionários de uma unidade de conservação em ronda que os levaram ao destino. Para desconsolo do casal, o quarto em que se instalaram não tinha janela e o mofo dominava o ar.

Na quarta-feira (6.3), às 2h39 (hora do Brasil), chegou o seguinte e-mail:

“Gente, vamos mudar de hotel. Vamos pra uma homestay beeem legal aqui do lado. Mas achamos que não tem internet, não confirmamos. A internet do celular não pega aqui. [...] De todo jeito, a cada dois dias, vou tentar mandar uma mensagem no celular só pra avisar que estamos bem. Mas fiquem tranquilos que o lugar aqui é lindo e estamos bem. O novo lugar onde vamos ficar é o hotel daquele casal que ontem nos ajudou a arrumar uma carona. Eles têm quartos amplos, com varanda e vista linda. Beeeem melhor”.

Na manhã desta quinta-feira (6.3) ela telefonou.

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