Divino nos Açores por monsenhor Gregório

28 de agosto de 2014 em FESTA DO DIVINO 2014

Monsenhor Gregório recebe convidados nos Açores. Foto: Paulo Ricardo Caminha.

Monsenhor Gregório recebe convidados nos Açores. Foto: Paulo Ricardo Caminha.

“As festas do Divino Espírito Santo não são só nem sobretudo tradição folclórica mas têm enraizamento e vivência cristã”, diz o monsenhor Gregório Joaquim Couto Rocha, diretor espiritual do Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo na Ilha Terceira dos Açores. Ele chega a Florianópolis nesta sexta-feira (29.8) à convite de Paulo Ricardo Caminha, onde partida dos festejos do Divino de Santo Antônio de Lisboa com uma conferência no dia 3 de setembro, às 21 horas, na igreja de Nossa Senhora das Necessidades.

Nascido no dia 20 de setembro de 1957 na freguesia de Altares, foi ordenado padre em 27 de junho de 1982, concluindo três anos depois a licenciatura em Teologia Dogmática na Pontificia Universidade Gregoriana em Roma. Ainda em 1985 foi nomeado professor de Teologia do Seminário Episcopal, onde leciona, sendo ao mesmo tempo pároco de Santa Luzia de Angra, da Sé de Angra e das freguesias da Feteira e de São Sebastião. Também foi reitor do Seminário Episcopal (1990-1996 e 2005-2011) e seu vigário geral por seis anos. Em 1991 foi nomeado cônego do Cabido da Sé, tornando-se monsenhor em 2006.

 

Guias na Ilha Terceira

Monsenhor Gregório chega a Florianópolis acompanhado de uma irmã, Maria de Lourdes, a Milú, informa Caminha. “Eles vinham sendo convidados há algum tempo, mas a função que deixou recentemente, de reitor do Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo, o impedia. Neste ano de 2014, ele deixou a reitoria e permanece na função de professor, o que permitiu conciliar estas atividades com a viagem à cidade tão falada dos açorianos, Florianópolis”, assinala.

Recepção aos convidados. Foto: Divulgação.

Recepção aos convidados. Foto: Divulgação.

“Ele é o nosso guia quando estamos na Ilha Terceira”, acrescenta Caminha, “uma pessoa amiga, culta e de mente muito aberta”. Outros catarinenses em visita aos Açores são acolhidos pelo monsenhor e por sua irmã Milú, como o vereador Celso Sandrini e o secretário de Cultura de Florianópolis, Luiz Moukarzel, entre outros. Abaixo na íntegra a entrevista exclusiva de monsenhor Gregório ao Daqui na Rede.

 

O culto do Divino nos Açores

Qual a importância do culto do Divino para a Igreja Católica?

O papel do Espírito Santo é fundamental para a Igreja Católica, pois ela só pode realizar a missão que Cristo lhe confiou exatamente porque é possuidora do Espírito de Cristo. O Divino Espírito Santo é como a alma da Igreja, é o motor que a dinamiza. Usando a linguagem do concílio Vaticano II, o Espírito Santo gera, sustenta e conduz a Igreja. Não há Igreja sem o Espírito Santo, pois é Ele que a impele a realizar a missão confiada por Jesus.

 

Como são as relações da Igreja Católica em Portugal com as Irmandades do Divino?

No que diz respeito às relações da Igreja Católica com as irmandades do Divino Espírito Santo, vou referir-me apenas aos Açores, porque é a realidade que melhor conheço. Podíamos falar de uma certa autonomia no sentido de que não há uma intervenção direta da hierarquia, embora os estatutos sejam aprovados pelo Bispo. Houve épocas em que o clero as marginalizou um pouco por causa de alguns abusos introduzidos nos festejos e também porque os leigos assumiam na totalidade a organização dos mesmos. No presente, e nos Açores, começa a notar-se alguma atenção e presença da parte do clero com o intuito de aproveitar esta manifestação de fé popular para ser um canal de evangelização. O Bispo diocesano atual tem sido um grande impulsionador desta ideia. Aliás, vamos encontrar nos símbolos usados nas festas do Divino Espírito Santo muita carga bíblica e teológica.

 

De que maneira os Sete Dons do Divino estão presentes no século 21?

Os sete dons são uma espécie de síntese dos valores contidos no Evangelho por um lado, e, por outro, sintetizam os anseios e aspirações dos homens do nosso tempo. Quando as nossas festas do Espírito Santo se concentram na fraternidade, na caridade, na partilha, na igualdade nada mais fazem do que apregoar o conteúdo dos sete dons. Os sete dons são a afirmação de que o “império do Divino” é o espaço de todo o ser humano que busca o sentido profundo da sua existência e das suas razões de viver.

 

Em Santo Antônio de Lisboa o culto ao Divino é central entre os católicos. Isso acontece em Portugal também?

O culto ao Espírito Santo é central na vida dos nossos católicos açoreanos mas falta por vezes o enquadramento da devoção ao Espírito Santo no contexto da fé no Deus de Jesus Cristo que é o Deus Trindade. Às vezes fica a sensação de que a fé no Divino Espírito Santo está desligada do Deus Trino.

 

O senhor pode nos adiantar alguns elementos de sua conferência em Santo Antônio de Lisboa?

Em Santo António de Lisboa gostaria de partilhar convosco sobretudo dois aspectos: o significado bíblico e pastoral das insígnias do Divino Espírito Santo e o seu enquadramento na fé e na cultura dos açoreanos. Nos Açores tentamos mostrar que as festas do Divino Espírito Santo não são só nem sobretudo tradição folclórica mas têm enraizamento e vivência cristã.

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