O cortejo imperial e a emoção contagiante

8 de setembro de 2014 em FESTA DO DIVINO 2014, Galeria de imagens

Cortejo de domingo (7.9) pela manhã. Foto: Celso Martins.

Cortejo de domingo (7.9) pela manhã. Foto: Celso Martins.

Por Edson Rosa (especial para o Daqui na Rede)*

A emoção se repete a cada traslado do cortejo da Casa do Império, que este ano teve como endereço oficial a residência do casal José Carlos e Maria Helena Dutra Blanco, a 250 metros Igreja de Nossa Senhora das Necessidades, na pequena rua Cônego Serpa, centrinho de Santo Antônio de Lisboa. Escoltada pela Irmandade do Divino Espírito Santo e integrantes do Apostolado da Oração, a família representada pela nobreza e religiosidade herdada dos colonizadores açorianos desfila ao ritmo dos dobrados da Banda Amor à Arte com o sentimento de dever cumprido.

Foto: Celso Martins.

Foto: Celso Martins.

José Carlos Blanco avalia ser “emocionante ocupar lugar de destaque e representar a nossa religiosidade de Santo Antônio. É uma honra, não só pela nossa família, mas pela comunidade de Santo Antônio, onde sempre foi forte a tradição e a devoção ao Divino Espírito Santo”, resume, logo após a missa de coroação da imagem secular de Nossa Senhora das Necessidades, a padroeira do lugar. A celebração teve participação de crianças e jovens ensaiados por Maria de Lourdes Andrade Padilha, e também emocionou quem lotou a igreja.

Emoção que também ficou clara na fisionomia do casal festeiro, Edemilso Damasceno e Maria Helena Possenti Damasceno. “É gratificante ocupar esta posição de destaque na celebração ao Divino Espírito Santo. Nossa comunidade está de parabéns pela participação e pela organização, e agradecemos a vinda das demais comunidades”, diz Maria Helena. Lado a lado, festeiros e família imperial foram cumprimentados ainda diante do trono do império, montado em ponto de destaque no pátio lateral da igreja.

 

Fogos e brincadeiras infantis

Em ritmo de dobrado, a banda Amor à Arte abriu o repertório com “Amigos para Sempre” e o clássico “O Guarani”. Mas foi ao som de “Bandeira do Divino”, composição de Ivan Lins e Vitor Martins, que o cortejo imperial deixou o salão lotado da igreja Nossa Senhora das Necessidades e se deslocou pouco mais de 50 metros, até o trono do império instalado no pátio lateral, ao lado do grande palco coberto.

Antes, o som de sopros e percussão foi abafado pelo show pirotécnico diante da baía Norte, foguetório visto de longe graças aos riscos de fogo no céu. “É muito bonito. Até nós ficamos emocionados, mesmo sem participar das celebrações”, avalia o vendedor ambulante Cícero Carlos Martins, que mora em Ponta das Canas e foi com a mulher e o casal de filhos pré-adolescentes a Santo Antônio.

Lá, enquanto Carlinhos e Monique se divertiam fazendo bolas de sabão, os pais organizavam melhor os brinquedos na banca improvisada diante da igreja Nossa Senhora das Necessidades. “Vamos sempre aonde há grande concentração de público. E aqui, as vendas começaram a melhorar”, avalia Martins.

Quem também fica antenado ao calendário do ciclo do Divino na Grande Florianópolis e outras comunidades açorianas do litoral é o palhaço Coração, que em Santo Antônio incorporou o colega Patatá. Com balões coloridos e pequenos adereços, como narizes de palhaço, ele garante o ganha-pão e passa orientações básicas às crianças: “É preciso respeitar mamãe e papai, comer toda a comidinha e depois escovar os dentinhos”, repetia a meninas e meninos atraídos pelas roupas coloridas.

 

Música e dança portuguesas no palco central

Afora a programação religiosa, o grande palco coberto no pátio lateral da igreja parece ter ficado pequeno para os integrantes do grupo Balho & Tocada de Raízes Açorianas (ver abaixo). Vestidos a caráter, músicos e dançarinos empolgaram o público com letras e ritmos tipicamente portugueses.

Segundo o músico Dalner Barbi, que toca cavaquinho, o grupo foi fundado em maio de 2010 com o nome Grupo Folclórico Raízes Açorianas, e adotou no ano passado para o nome atual e representa a Caisc (Casa dos Açores da Ilha de Santa Catarina).

O objetivo, acrescenta Dalner Barbi, é manter viva a cultura açoriana trazida pelos imigrantes do Arquipélago dos Açores em meados do século 18. O grupo é composto por pessoas de várias comunidades da ilha e do continente, e no trabalho de pesquisa destacam-se as cantigas e danças folclóricas tradicionais dos Açores.

O que também chama atenção da plateia são os trajes, autênticas as indumentárias provenientes daquelas ilhas portuguesas. Além de exibir as danças típicas açorianas, o grupo valoriza e promove a cultura local, apresentando o repertório musical de Florianópolis, como o “Rancho de Amor à Ilha”, composição do poeta Cláudio Alvin Barbosa, o Zininho que homenageia a Ilha de Santa Catarina, considerada habitualmente como a 10 ilha do arquipélago s Açores. (FOTOS ABAIXO)

*Edson Rosa é jornalista em Florianópolis.

 

Grupo Balho&Tocata. Foto: Diego Wendhausen Passos.

Grupo Balho&Tocata. Foto: Diego Wendhausen Passos.

 

 Balho&Tocata nos festejos do Divino

O repórter Diego Wendhausen Passos entrevistou o coordenador do grupo Grupo Balho & Tocata para o Daqui na Rede, Douglas Ferreira Gonçalves.

Conte-nos um pouco sobre a história do grupo Balho & Tocata Raízes Açorianas.

O grupo, com o objetivo de representar a cidade de Florianópolis, já existia há um bom tempo, com membros da comunidade do Ribeirão da Ilha. Surgiu entre 1998, 1999, com o término no ano de 2005. Então, passou esse tempo todo, e em 2010, eu tive o interesse de retornar com as atividades, junto com a Casa dos Açores, instituição pela qual representamos, a Caisc (Casa dos Açores Ilha de Santa Catarina). A casa já tem todos os trajes, as indumentárias e adereços. Temos toda essa formação e o grupo está com quatro anos de existência. Era chamado de Grupo Folclórico Raízes Açorianas, e teve a mudança de seu nome em 2013, para Balho & Tocata. Balho quer dizer o corpo de pessoas que dançam, e tocata, as que tocam e cantam.

 

Há quanto tempo o grupo participa na Festa do Divino?

Nos sentimos até lisonjeados, por que todas as comunidades nos procuram para encaixar em suas programações. Já estamos atuantes nas festas do Divino desde o seu primeiro ano de existência, participando em várias comunidades, Rio Tavares, Pântano do Sul, Rio Vermelho, Canasvieiras, Santo Antônio de Lisboa.

 

Qual é a principal finalidade do grupo?

A finalidade e o objetivo do grupo é não deixar a cultura morrer. E a gente está com um trabalho, agora, que além de apresentar as danças, os balhos açorianos, que se bailavam no século XVIII, no arquipélago dos Açores, estamos resgatando também a cultura local, o folclore ilhéu, que também é açoriano. Então, a gente está com esses dois projetos, e tentar reviver e resgatar essa cultura, que existe tanto no arquipélago dos Açores, como na nossa cultura, aqui na Ilha de Santa Catarina, e também não esquecendo o litoral catarinense.

 

CORTEJO DA MANHÃ DE DOMINGO (7.9), por Edson Luiz da Silva/Velho Bruxo. Especial para o Daqui na Rede.

CORTEJO DA MANHÃ DE DOMINGO (7.9), por Celso Martins.

 

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