Baiacu arrasta foliões na segunda de Carnaval

10 de fevereiro de 2016 em CARNAVAL 2016, Destaque, Destaque, Galeria de imagens

Por Miriam Santini de Abreu (texto) e Edu Cavalcanti (fotos)

Integrantes do bloco Baiacu de Alguém preparam-se para o desfile na lotada rua Cônego Serpa. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Integrantes do bloco Baiacu de Alguém preparam-se para o desfile na lotada rua Cônego Serpa. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Baiacu virou almofada ou almofada virou baiacu? Deu mesmo o baiacufada, nova criatura destas que só o Carnaval produz e que na Quarta-feira de Cinzas já viram espécie em extinção.

Não importa. O baiacufada sacrificou com alegria a curta existência abrindo a onda verde do bloco Baiacu de Alguém, que mais uma vez deslizou na rua Cônego Serpa no desfile desta segunda-feira (8.2), arrastando junto foliões que as cordas de segurança não deram jeito de segurar. Até mesmo os bonecos de Santo Antônio e do pescador tiveram dificuldade de movimentar os longos braços. O boi, que poucos antes da entrada do Baiacu se chacoalhava ao som de “Vira vira”, dos Mamonas Assassinas, também ficou espremido no meio do bloco. Como diz o manezinho, era povança ali na Cônego Serpa!

Rendeiras cantam ratoeira, típica cantiga açoriana, na sede do Baiacu de Alguém, antes do desfile. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Rendeiras cantam ratoeira, típica cantiga açoriana, na sede do Baiacu de Alguém, antes do desfile. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

O peixe-almofada homenageava elas, as rendeiras e sua arte, que neste 2016 foram o tema do samba-enredo. Elas desfilaram à moda da comissão de frente, levando nos braços pequenas almofadas coloridas, base para a execução das peças famosas na Ilha e lá fora. Os bilros também serviram de instrumento para acompanhar o samba. Outros foliões pulavam agitando pequenos baiacus.

Vivian Portela, a porta-bandeira do bloco há três anos e integrante há oito, abriu o desfile num conjunto branco com blusa de renda de bilro e cabelos adornados com coroa de margaridas brancas e mosquitinhos.

Vivian honra a bandeira costurada por Thereza Christina dos Santos. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Vivian honra a bandeira costurada por Thereza Christina dos Santos. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Rendeira homenageada também não deixou por menos. Maria da Glória Viana Soares, 66 anos, da Barra do Sambaqui, recortou a gola da camiseta do Baiacu de Alguém e aplicou uma renda lilás, personalizando o adereço do bloco. Para acompanhar, um leque e um aplique no cabelo com detalhes de renda de bilro. Ela aprendeu a arte com a mãe aos sete anos e desfilava com Manoella, 13 anos, uma das três netas a quem ensinou o saber, que já levou até os Açores como parte de um projeto da Casa dos Açores Ilha de Santa Catarina, com apoio do Governo da Região Autônoma daquele arquipélago.

Alguns foliões ajudaram a segurar a corda que possibilita a passagem do bloco. Mas não houve força que segurasse a animação da galera (leia abaixo). Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Alguns foliões ajudaram a segurar a corda que possibilita a passagem do bloco. Mas não houve força que segurasse a animação da galera (leia em “Bastidores”). Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

No aperto sufocante do trajeto até a Igreja Nossa Senhora das Necessidades, lavado a banho de espuma, os foliões se renderam às rendeiras e ao tradicional bloco do bairro. “Divertido, autêntico, muito local!”, definiu o argentino Federico Feldtmann, que estava acompanhando a festa com os filhos e a mulher, Lucila. O casal de São José Willian Souza e Mayaha Peres também levou a pequena Alice, de quatro anos, para o Carnaval do bairro, onde, destacaram, se percebe o cuidado com a segurança. Faltaram apenas mais banheiros químicos, comentou Mayaha, reclamação que ouviu de outras pessoas por causa da demora na fila. (Por M.S.A)

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Bastidores

Como de costume, antes e depois do desfile, integrantes do bloco se reúnem na sede da Associação Cultural Baiacu de Alguém. No esquenta, a banda de Carnaval do Baiacu tocou sambas, marchinhas e frevos, agitando os presentes, principalmente as rendeiras, que se preparavam para desfilar na comissão de frente. Dona Benta do Amaral era uma das mais animadas. “Botaram pilha nova nas velha tudo”, brincava Dona Glorinha Viana Soares, rindo. Dona Rosinha dos Santos Cruz ora dançava, ora descansava. “Minha vontade é sempre estar lá pulando. Eu adoro Carnaval. Mas já tenho 80 anos, né. Se não parar um pouco, depois não consigo desfilar”, disse.

Mas conseguiu, sim. E todas as rendeiras foram as grandes estrelas da noite – tanto que houve quem sugerisse sua presença permanente no bloco. Elas desfilaram até pouco depois do clube Avante, quando a corda que protege o bloco não conseguiu mais segurar a empolgação do público e começou a encurralá-las. Com a porta-bandeira e outros componentes, elas passaram por baixo da corda e saíram de cena. Dona Rosinha aproveitou a parada no Avante para comer uma batatinha frita. “Dá uma fome o Carnaval, né”, comentou.

A corda acabou sendo recolhida e o pessoal da bateria do bloco, que deu toda sua energia para o desfile, ficou preso no meio da multidão, demorando mais que todos para voltar à sede do Baiacu. Quando os ritmistas chegaram, suados e exaustos, foram recebidos com aplausos, de pé. E ainda deram a última palhinha para o delírio da galera. (Anita Martins)

FOTOS DA SEGUNDA-FEIRA DE CARNAVAL EM SANTO ANTÔNIO DE LISBOA, por Edu Cavalcanti.

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