Festas e pescarias nos navios onde “Marujo” trabalhava – 5/10

23 de março de 2016 em Marujo dos Sete Mares - Antônio Cardoso, Memória

Por Celso Martins

Este é o quinto capítulo da série de dez reportagens “As aventuras de Marujo nos sete mares”. A cada três dias, será publicado um novo episódio. Confira o próximo no dia 26.3.

Antônio Cardoso com o certificado de passagem pela Linha do Equador. Foto: Celso Martins.

Antônio Cardoso com o certificado de passagem pela Linha do Equador. Fotos: Celso Martins.

Depois que deixou a Marinha de Guerra, o almirante Luiz Paulo Beltrão Frederico passou a atuar no Lloyd Brasileiro, caindo nas graças dos marinheiros. “Foi com ele que ingressei na Frota Oceânica Brasileira, antes do Lloyd”, relata “Marujo”, que mantém na sala de visitas um certificado recebido ao atravessar a Linha do Equador pela primeira vez. “Ele guardava uma vestimenta do Deus Netuno para essas ocasiões. A gente vestia e recebia o certificado”, lembra, mostrando o documento assinado pelo almirante.

Uma das festas de aniversário a bordo. Foto: Luiz Paulo Frederico Beltrão. Acervo: Antônio Cardoso.

Uma das festas de aniversário a bordo. Foto: Luiz Paulo Beltrão Frederico. Acervo: Antônio Cardoso.

Sempre que começava uma viagem, ele elaborava a relação dos aniversariantes e escolhia um sábado para a comemoração. Nesses eventos, o almirante fotografava e filmava a movimentação. “Ele escolhia o sábado para que no domingo a gente pudesse curar a ressaca”. Esses eram os poucos momentos em que as bebidas alcoólicas eram permitidas.

"Marujo", Marinho, Chernobyl e outros marinheiros pescam garoupa em Abrolhos (Bahia). Foto: Acervo Antônio Cardoso.

“Marujo”, Marinho, Chernobyl e outros marinheiros pescam garoupa em Abrolhos (Bahia). Foto: Acervo Antônio Cardoso.

Quando o navio que ele comandava passava por algum pesqueiro famoso, mandava parar e liberava a pesca. Numa ocasião, em Abrolhos (Bahia), capturaram muitas garoupas, como ilustram as fotos. Os peixes foram preparados no mesmo dia e degustados por todos à bordo. “Deus que o tenha em um bom lugar, era excelente aquele homem”, reitera. “Brincava com nós, fazia churrascada.”

Segundo um dos filhos de Beltrão, Ângelo, o pai morreu em 1992, um ano depois de “Marujo” haver se aposentado. “Ele já era bem mais velho que a gente. Lamentável a sua morte”, diz “Marujo”.

Leia os outros capítulos da série “As aventuras de Marujo nos sete mares”:
Capítulo 1 - Introdutório
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4

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