O nascimento de “Marujo” em Laguna – 2/ 10

14 de março de 2016 em Marujo dos Sete Mares - Antônio Cardoso, Memória

Por Celso Martins

Este é o segundo capítulo da série de dez reportagens “As aventuras de Marujo nos sete mares”. A cada três dias, será publicado um novo episódio. Confira o próximo no dia 17.3.

Antônio Cardoso, o "Marujo", em casa. Foto: Margaret Grando/Especial para o Daqui na Rede.

Antônio Cardoso, o “Marujo”, em casa. Foto: Margaret Grando/Especial para o Daqui na Rede.

Em Santos (SP), ele ganhou o apelido de “Alemão”. No Rio de Janeiro (RJ), era o “Russo” do Lloyd Brasileiro. Em Sambaqui (Florianópolis-SC), ficou conhecido como “Marujo”.

São esses os apelidos de Antônio Cardoso, lagunense do bairro Lagoa Presta (Magalhães), nascido no dia 17 de outubro de 1937, filho de um estivador do Porto de Laguna, José Antônio Cardoso, e de dona Emília Rosa Cardoso, originária do Mirim (hoje Imbituba-SC).

Foto para inscrição na Marinha, em 1954. Reprodução: Celso Martins.

Foto para inscrição na Marinha, em 1954. Reprodução: Celso Martins.

“Meu pai morreu na época da Segunda Guerra, eu tinha apenas quatro anos”, lembra, deixando a viúva sozinha com três filhos. “Sou o único vivo hoje”, enfatiza. Um deles, o marinheiro Pedro, quando aposentado, teria sido atingido por um cabo de aço no resgate do Malteza S, encalhado na praia do Gi, em Laguna (SC), em 1979. O outro irmão chamava-se Paulo.

Criado nas ruas e no cais do Porto, obrigado a trabalhar desde cedo para ajudar a mãe, Antônio fazia bicos, todos ligados ao mar. Prestou serviços à Marinha na manutenção dos faroletes do canal da Barra de Laguna, e em ilhas, como a dos Lobos. Também trabalhou na retirada de ferrugens dos navios, que ainda limpava e pintava.

Registro na Marinha. Reprodução: Celso Martins.

Registro na Marinha. Reprodução: Celso Martins.

Com 17 anos de idade, o jovem de espírito irrequieto e ativo, dado ao batente, tomou a decisão de deixar Laguna e seguir a carreira de pescador em Santos. Marinheiros que ele ouvira comentar aqui e ali davam conta das facilidades de emprego na cidade portuária paulista, onde ele chegou no dia 11 de junho de 1954.

Não foi fácil alcançar o destino. Marujo seguiu de Laguna a Itajaí de ônibus, conseguindo carona em um navio pesqueiro que no meio do caminho seguiu direto para o Rio de Janeiro. “Acabamos ficando em São Sebastião”, recorda. “Permanecemos naquele porto 15 dias, esperando carona para ir a Santos. Foram dias de muita fome.”

Leia os outros capítulos da série “As aventuras de Marujo nos sete mares”:
Capítulo 1 - Introdutório

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