Trabalho e comida farta no dia a dia de “Marujo” – 6/10

26 de março de 2016 em Marujo dos Sete Mares - Antônio Cardoso, Memória

Por Celso Martins

"Marujo" na cabine de navio em Recife (PE). Foto: Ailson Marinho. Acervo: Antônio Cardoso.

“Marujo” na cabine de navio em Recife (PE). Foto: Ailson Marinho. Acervo: Antônio Cardoso.

Este é o sexto capítulo da série de dez reportagens “As aventuras de Marujo nos sete mares”. A cada três dias, será publicado um novo episódio. Confira o próximo no dia 29.3.

“Sobrava muita comida”, enfatiza Marujo. Existiam camarotes individuais e para dois marinheiros. “Era tudo certinho, na medida, não tinha do que reclamar.”

Pedro Cardoso batendo ferrugem no navio Frotaoeste. Foto: Antônio Cardoso.

Pedro Cardoso batendo ferrugem no navio Frotaoeste. Foto: Antônio Cardoso.

A comilança começava às sete horas da manhã, com uma café reforçado, à base de pão, mingau, chocolate ao leite, doces e salgados, como ovo e bife, entre outros. Às 10h30, os trabalhadores largavam o serviço para o almoço das 11 horas, “sempre com mesa farta”. Havia outro café às 15h30 e uma janta às 17 horas. Às 21 horas, mais um café. E, para quem estava de serviço, ainda havia o “Biguá”, à meia noite. Mesmo quem estava de folga tirava uma casquinha. “Quando era carne seca não sobrava nem para o cachorro”, brinca.

Porto de Vitória. Foto: Antônio Cardoso.

Porto de Vitória. Foto: Antônio Cardoso.

Quando chegava em algum porto, “a gente ia para terra namorar, fazer compras. Ficava lá só o tempo necessário. Se a gente encontrasse uma prima que desse mole, a gente dormia por lá”, caso contrário voltava para o navio.

Tempestade em alto mar antes de Abrolhos (Bahia). "O navio quase não se mexe." Foto: Antônio Cardoso.

Tempestade em alto mar antes de Abrolhos (Bahia). “O navio quase não se mexe.” Foto: Antônio Cardoso.

Tem boas lembranças desse tempo? “Algumas, algumas”, responde. E se fosse convidado a voltar, embarcaria novamente? “Embarcaria sim, voltava, voltava!”

Ele “trabalhava com muito gosto, com prazer mesmo. Pegava tempestade, mas aquilo pra mim era aventura. De vez em quando, pegava tempestade, mas sei lá, gostava”. Trabalhava “para ganhar o meu dinheiro e sustentar a família. Não era para se aprofundar, evoluir em alguma coisa, tecnologia, história, uma coisa científica. Trabalhava pelo meu emprego”.

 

Leia mais da série “As aventuras de Marujo nos sete mares”:
Capítulo 1 - Introdutório
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5

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