Cozido do Divino: amizade, partilha e farinha

9 de setembro de 2016 em Festa do Divino 2016

 

Por Edinara Kley*/Especial para o Daqui na Rede

A 12º edição do Cozido da Solidariedade e da Partilha, o Cozido do Divino, reuniu cerca de 400 pessoas no salão paroquial da igreja Nossa Senhora das Necessidades, em Santo Antônio de Lisboa. A celebração integra os festejos do Divino Espírito Santo em Florianópolis e é inspirada na tradicional Sopa do Espírito Santo servida nos Açores, em Portugal, evento que promove a partilha e a integração servindo uma refeição gratuita à comunidade durante as celebrações do Divino.

Paulo Ricardo Caminha, um dos idealizadores do evento, conta que nos Açores, desde sempre, todos tinham direto a uma refeição de carne, pão e vinho, e foi essa a ideia que ele e um grupo de amigos quiseram trazer para cá, em 2005. “Quisemos colocar um elemento novo, que remetesse às festividades açorianas, então fizemos a sopa. Porém, ela teve vida curta, pois o povo clamava pela farinha de mandioca, para fazer um pirãozinho”, lembra.

Nilera e Banda. Foto: João Costa.

Nilera e Banda. Foto: João Costa.

Como o sentido da festa é o perdão e a partilha, e não propriamente o que é servido nela, o pão foi substituído pela farinha e o pirão agora é o grande astro do cozido. “Foi mantido até pela lei do menor esforço, pois mandioca é que temos aqui e o povo adora”, diz Caminha. Alimentar tantas bocas e corações embora prazeroso não é tarefa simples. Para o preparo de mais de 300 quilos de alimentos (entre carne, linguiça e legumes) são necessários dois dias de trabalho intenso, com uma equipe de aproximadamente 20 pessoas. “Costumo dizer que o segredo do cozido é não ter segredo, não saber quem faz o quê e nem como é feito, todos são importantes na mesma medida”, brinca.

 

“Típicamente portuguesa”

Outro idealizador do cozido, Edson Luiz da Silva, o Velho Bruxo, lembra que o verdadeiro sentido da festa é que ela promova cada vez mais a integração da comunidade, para que as pessoas possam viver o real sentido da partilha. “Para isso, não abrimos mão de que ela continue sendo oferecida de graça para todos. Hoje nós pedimos apenas doações voluntárias, de alimentos não perecíveis ou fraldas geriátricas, para distribuirmos depois a quem necessita”, destaca.

Além do sabor, a forma como é servido também chama a atenção dos convidados. São mais de 10 pratos, todos servidos em alguidares. Primeiro o pirão, depois a carne ou linguiça, e na sequencia os legumes cozidos: abobora, aipim, batata doce, batata inglesa, cenoura, couve, chuchu e aipim. “Reviver essa festa tipicamente portuguesa é muito interessante. Eu gostei muito. Tudo é servido quente e outro detalhe impressionante, para coroar isso tudo, é o detalhe da pimenta jamaica, que os portugueses gostavam e aqui se bota em cima do pirão. Um prato delicioso, de lamber os bigodes como diziam os portugueses”, avalia Carlos Alberto da Silva Faria, presidente do Club do Galfo, de Florianópolis.

 

Últimos dias de festa

A partir desta sexta-feira, 9, com a Transladação do Cortejo Imperial da Casa do Império para a igreja de Santo Antônio de Lisboa, às 19h30, começam as celebrações mais importantes da Festa do Divino Espírito Santo, que encerra no Domingo com a apresentação do casal Imperial da Festa do Divino de 2017.

O provedor da Irmandade, Maurício Martins, diz que está bastante satisfeito com tudo o que aconteceu até agora e comenta que a festa vai sendo lapidada na medida em que acontece e que está dentro do previsto. “Sempre acontece um imprevisto ou outro, como a chuva, mas nada que atrapalhe a grandeza da nossa festa. A partir de agora vamos para as celebrações mais esperadas, entre elas a coroação da imagem de Nossa Senhora das Necessidades, no sábado, e depois começamos novamente o trabalho para o próximo ano”, comenta.

*Edinara Kley é jornalista em Florianópolis-SC e reside em Sambaqui.

 

Share on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookPin on PinterestEmail this to someone