A história dentro d’água (5): Embarcações de guerra

5 de fevereiro de 2017 em A história dentro d'água

 

Tonelero, brigue escuna construído por Joaquim José Inácio, atracou diversas vezes na região. “Vaso de guerra – Ancorou anteontem no porto de Sambaqui, vindo do Rio de Janeiro, o brigue-escuna Tonelero, do comando do nosso distinto amigo e conterrâneo o Sr. capitão-tenente Quintino Francisco da Costa. Este navio vem encarregado do serviço do farol do Arvoredo, na barra do norte desta província”. (O Despertador, 13.3.1880)

O mesmo jornal informa no dia seguinte que o Tonelero “fez a sua viagem do Rio de Janeiro ao Arvoredo em dois dias”. (O Despertador, 14.3.1880)

Em outubro de 1880, ancorado na praia de Fora, a força do brigue escuna Tonelero foi empregada na repressão a um levante de colonos da colônia Itajaí (Azambuja e Luis Alves), junto com o pessoal do encouraçado Bahia, fundeado em Sambaqui. Cerca de 40 praças imperiais foram embarcados no vapor S. Lourenço rumo à Itajaí com a missão de guarnecer a cidade e auxiliar “as autoridades policiais.” (Conservador, outubro de 1880)

Quintino Francisco da Costa, nascido em Desterro no dia 2 de março de 1843, estava com 37 anos de idade quando chegou à cidade Natal no comando do brigue escuna Tonelero em 1880. Deputado estadual entre 1874 e 1875, comandou a Escola de Aprendizes de Marinheiros e a Capitania dos Portos, faleceu no Rio de Janeiro em 17 de maio de 1897. (PIAZZA, 1985, p. 185)*

 

Chegada – No último paquete chegou do Rio de Janeiro o Sr. capitão de fragata Manoel Lopes da Cruz, o qual vem tomar o comando do encouraçado Bahia. S. S., no mesmo dia da chegada, seguiu para Sambaqui na lanchinha a vapor”. (Gazeta de Joinville, maio de 1881)

O encouraçado Bahia, que não conseguia deixar o ancoradouro de Sambaqui quando seus tripulantes foram enviados a Itajaí, foi construído no estaleiro Laird Brothers, Birkenhead (Inglaterra), lançado ao mar em junho de 1865. Com 53,5 metros de comprimento, 10,7 metros de boca (largura) e calado de sete pés (2,4 metros), viajava a 10 nós (19 km/h), armado com dois canhões Whitworth de 150 mm em torre giratória e duas metralhadoras, tripulado por 120 oficiais e marinheiros. (MAIS)

1º de Março.

1º de Março.

Em meados de 1883 o jornal O Despertador informa que o cruzador 1º de Março vai se reunir à Divisão que “se acha fundeada em Sambaqui”. Este “lindo navio foi todo construído no Arsenal de Marinha, da Corte, e é esta a sua primeira viagem depois das de experiência”. “No grande temporal que a Divisão apanhou ao norte dos Abrolhos, o 1º de Março portou-se bem, demonstrando ter boas qualidades náuticas”. (O Despertador, julho de 1883)

 

*PIAZZA, Walter Fernando. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis : Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985.

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