Carnaval família em Sambaqui

2 de março de 2017 em CARNAVAL 2017, Galeria de imagens

Por Anita Martins (texto) e Edu Cavalcanti (fotos)/Especial para o Daqui na Rede

Foliã mirim. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Foliã mirim curte na corcunda do pai. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Eram quase 2h da última noite de folia do ano (28.2) e ainda havia crianças pulando com seus pais em Sambaqui. A essa altura, quem animava o público de aproximadamente três mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, era o trio elétrico do Gazu, com seu frevo & roll, ou seja, rock & roll misturado com o ritmo nordestino. Mas, antes disso, muita festa já havia rolado.

A programação começou à tarde, com um concurso de fantasias e uma remada de SUP em que os participantes também usavam figurinos carnavalescos. No início da noite, foi a vez de uma inovação que encantou a todos: uma apresentação de Boi de Mamão em plena festa de Momo. A professora Janete Gomes, uma das fundadoras do Grupo de Boi de Mamão da Associação do Bairro de Sambaqui (ABS), conta que, tradicionalmente, o Boi não era dançado no Carnaval. “Mas o folclore é assim, vai se adaptando.”

Ísis, de um aninho, viu o Boi pela primeira vez e já pediu para ir no colo do cachorro. "Depois, ela quis ir com o urso branco, mas não deu tempo", contou a mãe, Vanessa Pires Gomes. "Deve ser genético", completou o pai, Vladimir Campos Gomes. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Ísis, de um aninho, viu o Boi pela primeira vez e já pediu para ir no colo do cachorro. “Depois, ela quis ir com o urso branco, mas não deu tempo”, contou a mãe, Vanessa Pires Gomes. “Deve ser genético”, completou o pai, Vladimir Campos Gomes. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Mamães, papais e crianças adoraram. A empresária Kamila Sarda Queiroz Gomes, 34, levou o filho Quiron, de dois anos. “Ele é alucinado pelo Boi. Tanto que, hoje, a decoração da minha casa é toda de Boi de Mamão. Então, qualquer oportunidade que ele tem para ver é uma festa”, contou. “Que bom ver essa garotada toda. É com vocês que contamos para dar continuidade a essa tradição”, comemorou o puxador da cantoria do Boi, Antônio Carlos da Cunha (Carlinhos).

SAMBA AQUI

Após um intervalo com som mecânico, veio o trio elétrico de Nei Plat, com suas marchinhas. Entre os foliões mais animados estava o empresário Leonardo Scherer, 24, fantasiado de homem das cavernas e acompanhado por um amigo vestido de Batman. Os dois pulavam, corriam e brincavam com todo tipo de pessoa, arrancando sorrisos. “Eu amo Carnaval. E não preciso de álcool ou outra droga para me animar. Só preciso de samba e axé, que são a essência do Carnaval.” Leonardo ainda disse que vai aproveitar a folia até o final, indo no bloco “Quero parar, mas não consigo”, no sábado.

Outra foliã que chamava a atenção era Ketlen Viana, 19, que circulava acompanhada de amigas e amigos. Em uma cadeira de rodas desde 11 anos, quando sofreu um acidente de carro, Ketlen defende que outras pessoas na mesma situação busquem uma vida normal, como ela faz. “Tem gente que olha com dó e tem gente que olha com admiração. Tem buraco e tem falta de rampas. Mas nada é motivo para não curtir”, falou.

Kamilly Oliveira à frente da bateria do bloco Engenho de Dentro. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Kamilly Oliveira à frente da bateria do bloco Engenho de Dentro. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Na sequência, desfilou o bloco Engenho de Dentro, que existe há 22 anos. O destaque foi a bateria Engenhosa, cada ano mais afinada. Pela segunda vez consecutiva, a rainha foi uma moradora do Morro do Céu – em 2016, Evelyn Makowiecki, 21, e agora, Kamilly Oliveira, 18. Aos três anos de idade, Kamilly foi rainha mirim do antigo bloco Arranca. Também já saiu pela escola de samba Dascuia e agora faz parte da Unidos do Morro do Céu. “Estou sendo muito bem recebida no Sambaqui. Mas claro que é diferente de sair na sua comunidade, onde todo mundo te conhece. Lá, tem mais conforto, mas também mais expectativa”, compartilhou a jovem.

ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO

Foi por causa do trio do Gazu, última atração da noite, que a corretora de imóveis e administradora Manoela Oliveira veio de Governador Celso Ramos. “Venho todo ano porque este é o melhor Carnaval de Florianópolis”, afirmou.

Trio elétrico do Gazu. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

Trio elétrico do Gazu. Foto: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

O show teve as participações especiais do vocalista do John Bala Jones, Guilherme Ribeiro, do percussionista do Iriê, Daniel da Luz, e do baterista do Iriê, Daniel Gafa. A banda que acompanha Gazu é formada por Carlo Abreu na bateria, Luizinho Pereira na guitarra e Fabio Cappellano no baixo.

Atrás do trio elétrico, além dos foliões, ia Ana Lúcia Rosa, recolhendo latinhas. Ela trabalha com isso no Revéillon e no Carnaval, ajudando o padrasto. Segundo Ana, cada quilo é vendido por cerca de R$ 3. Por volta da meia-noite, ela havia coletado 15 quilos, o que resultaria em R$ 45. Mas, mais que gerar uma renda para si, Ana gerava um benefício público. Limpava e garantia a reciclagem do lixo. Obrigada, Ana.

Terça-feira de Carnaval no Sambaqui. Fotos: Edu Cavalcanti/Especial para o Daqui na Rede.

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