Cascaes era mesmo descendente de açorianos

15 de março de 2017 em Artigo

 

Por Sérgio Luiz Ferreira*

 

Cascaes em 1983. Foto: Sérgio Vignes.

Cascaes em 1983. Foto: Sérgio Vignes.

Há 34 anos, no dia 15 de março de 1983, falecia em Florianópolis, aos 74 anos de idade, Franklin Joaquim Cascaes, o grande responsável pela tomada de consciência da herança açoriana da população do litoral de Santa Catarina em meados do século XX. Ele afirmava: “Um dia me prometi que, quando pudesse, ia recolher na Ilha o que sobrava de todas aquelas tradições açorianas. E eu fiz isso mesmo”. Da década de 1940 até sua morte, ele andou pela ilha e pelo continente fronteiriço a recolher, anotar, gravar, desenhar e esculpir a mitologia e a cultura imaterial e material dessa gente tão singular que habita o litoral catarinense. E não fez só isso. Não foi um mero pesquisador, ele voltava à comunidade, montava exposições, fazia palestras, falava durante as festas do Divino ou da Santa Cruz. Ele mostrava ao povo as origens de suas festas e de suas tradições e alertava para o perigo que o progresso desenfreado representava para a cultura e para natureza da ilha e do continente.

Cascaes visitou os Açores em 1979 na companhia do professor Nereu do Vale Pereira. Naquele tempo, ele não sabia com certeza quem eram seus antepassados açorianos. Há algum tempo pesquiso a árvore genealógica de Cascaes e somente neste ano descobri que, de fato, ele era descendente de açorianos. Ainda não encontrei o fio da meada da família Silva Cascaes. Acredito que Franklin seja descendente dos Silva Cascaes da Laguna, que vieram do Rio Grande do Sul e tinham origem em Cascais, no continente português. No entanto, todos os seus outros três avós tinham origem nos Açores. As duas avós de Franklin, Mariana Rosa de Jesus e Catharina Ana de Jesus, eram primas irmãs e bisnetas dos casais açorianos, João Martins da Fonseca e Felícia Ignácia, naturais da Ilha Terceira e Manoel José da Cunha e Maria Ignácia de Jesus, naturais da Ilha de São Jorge. Já o seu avô materno, Francisco Silveira de Ávila, era trineto de três casais açorianos: José Silveira de Ávila, nascido em 1729, natural da Vila das Velas, Ilha de São Jorge, casado com Rita Maria, nascida em 1734, natural da Vila do Topo, também na Ilha de São Jorge. O segundo casal era composto por Matheus Vaz da Rocha, nascido em 1730, e Rosa do Sacramento Jacques, nascida em 1728, ambos da freguesia das Quatro Ribeiras, na Ilha Terceira. O terceiro casal era composto por João de Ávila dos Santos e Joana de Jesus, naturais da freguesia da Ribeirinha, também na Ilha Terceira. Dessa forma, Franklin Joaquim Cascaes pertencia à quinta e à sexta gerações de descendentes de açorianos que chegaram a Santa Catarina entre 1748 e 1753.

 

*Sérgio Luiz Ferreira é doutor em História Cultural, lotado no campus da UFSC em Blumenau.

Texto publicado originalmente no jornal Notícias do Dia, reproduzido no Daqui na Rede com autorização do autor.

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