Relatos pioneiros das nossas árvores e frutos

10 de abril de 2017 em Ambiental

 

Documentos que ficaram desconhecidos durante dois séculos foram encontrados por acaso na Biblioteca Nacional de Portugal – primeiro relato botânico sobre o Estado

 

O livro História Natural da Ilha de Santa Catarina – O Códice de Antônio José de Freitas Noronha, da jornalista Marli Cristina Scomazzon em parceria com o pesquisador Jeff Franco e o botânico Daniel Barcellos Falkenberg, será lançado no dia 13 de abril, no Instituto Histórico Geográfico de Santa Catarina (IHGSC), às 18h30.

A obra de 140 páginas, com selo da editora Insular, conta a história do primeiro registro detalhado das árvores e frutas do Estado. A coleção de manuscritos, um códice de 38 páginas, foi descoberta por acaso por Jeff Franco, enquanto realizava uma pesquisa sobre Desterro na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.

O material que ficou sem conhecimento público durante dois séculos, foi desenhado e descrito em 1803, antes da chegada da Família Real ao Brasil, pelo sargento-mor do Regimento de Tropa de Linha da Guarnição da Ilha de Santa Catarina, Antônio José de Freitas Noronha, natural da Ilha da Madeira.

 

Conservação

Desde a descoberta do material até a conclusão do livro foram três anos de estudos e avaliação de material. “Esta passa a ser a primeira pesquisa sobre a botânica de Santa Catarina, sendo, portanto, uma obra de grande importância para conhecimento e para a história do Estado”, explica Marli.

De acordo com a jornalista, transformar a coleta de dados em livro, e descobrir com a ajuda do professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e botânico, Daniel Falkenberg, quais eram as espécies mencionadas no documento foi um trabalho intenso. “A nomenclatura e a precisão das características das folhas, dos frutos, o tempo de colheita e como se comem, em alguns casos não eram exatas, tendo em vista que Noronha havia feito apenas um curso de matemática e desenho no Exército. Ele não tinha o conhecimento necessário, o que nos deu mais trabalho e nos exigiu mais dedicação”, acrescenta.

O códice original está extremamente bem conservado, foi digitalizado e está disponível no site da Biblioteca Nacional de Portugal. A descoberta do códice forçou a busca pela identidade do autor, sua profissão e também da motivação para produção do material, o que resultou em muitas pesquisas em bibliotecas, arquivos da Cúria e do Exército. “O que nos chama a atenção é que documentos tão importantes quanto estes podem ter se perdido e com eles, informações sobre a história de Santa Catarina também”, lamenta Marli.

 

Secular

Sobre Antônio Noronha, Jeff Franco, que é um apaixonado pela história de Desterro, principalmente no período que compreende os séculos XVIII e XIX, descobriu que ele veio para a hoje Florianópolis ainda criança com a família, que fugia da fome e da miséria da terra de origem, a Ilha da Madeira.

Incorporado à Infantaria do Império, Noronha recebeu a incumbência do então Governador da Ilha de Santa Catarina, o coronel Joaquim Xavier Curado, de apresentar um estudo da flora local. Sua habilidade para o desenho resultou no códice que, ao que tudo indica, foi incorporado ao acervo da Biblioteca Nacional de Portugal quando do retorno da Família Real a sua terra de origem em 1822.

 

Rumo à Califórnia

O livro a História Natural da Ilha de Santa Catarina – O Códice de Antônio José de Freitas Noronha, reedita a parceria de Marli Scomazzon com Jeff Franco, iniciada na obra A Caminho do Ouro – norte-americanos na Ilha de Santa Catarina, editada em 2015. A Caminho do Ouro é mais um importante resgate da história de Santa Catarina que relata minuciosa e detalhadamente a desconhecida história de norte-americanos que chegavam de barcos a Florianópolis entre 1848 e 1856 como parte do cumprimento da rota que os levaria ao El Dorado, na Baía de São Francisco, na Califórnia. Era menos arriscada a navegação do que percorrer por terra o trajeto que prometia ouro e riqueza em sua conclusão.

“Nesta nova empreitada contamos com a importante e imprescindível colaboração do botânico Daniel Falkenberg. Com o conhecimento dele foi possível alcançarmos a importância da descoberta feita por Jeff por acaso do outro lado do oceano”, conta Marli.

 

Marli

Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Marli Cristina Scomazzon atuou nos jornais O Estado, Diário Catarinense e de Santa Catarina. Foi também correspondente das revistas Veja e Isto é no Estado e trabalhou como produtora na RBS TV.

 

Daniel

Daniel Barcelos Falkenberg é graduado em Agronomia pela UFRGS. Tem mestrado em Botânica pela mesma instituição e doutorado em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professor adjunto no departamento de Botânica da UFSC.

Jeff Franco é pesquisador e atualmente mora fora do país.

 

RESUMO

O quê: Lançamento do livro História Natural da Ilha de Santa Catarina – O Códice de Antônio José de Freitas Noronha, da jornalista Marli Cristina Scomazzon, Jeff Franco e Daniel Falkenberg

Quando: 13 de abril de 2017, às 19h

Onde: Instituto Histórico Geográfico de Santa Catarina – Av. Hercílio Luz, 523 – Centro, Florianópolis – SC, telefone: (48) 3222-5111

Entrada gratuita

(Por Gestão de Comunicação)

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