A história dentro d’água (10): Exercícios na Ponta

13 de maio de 2017 em A história dentro d'água

 

Vestígios do antigo cais. Foto: Celso Martins.

Vestígios do antigo cais. Foto: Celso Martins.

O inverno de 1883 foi bastante movimentado no mar de Sambaqui e Santo Antônio.

“Os navios da divisão de evoluções, durante o tempo que se acham fundeados em nossas águas, têm feito exercícios diários, ora de pano, ora de artilharia e fuzilaria ao alvo”, conta o jornal O Despertador de 11 de agosto de 1883.

“Em alguns dias têm desembarcado as guarnições no Pontal de Sambaqui, para fazerem manobras de infantaria”, acrescenta a mesma fonte.

A base do cais que existiu na Ponta do Sambaqui, sustentando dois trapiches de madeira usados na carga e descarga do carvão das embarcações a vapor, continua no lugar.

Pedras do antigo cais. Foto: Celso Martins.

Pedras do antigo cais. Foto: Celso Martins.

As pedras perfeitamente alinhadas, cortadas, podem ser vistas em momentos de maré baixa. Vestígios de argamassa e pedras assentadas também estão à mostra.

Parte das pedras que sustentaram o cais estão espalhadas dentro d’água, com tamanhos semelhantes.

A Regeneração, Desterro, 15.9.1883.

A Regeneração, Desterro, 15.9.1883.

O jornal A Regeneração, de 15 de setembro de 1883, noticiou a partida da Divisão Naval de Evoluções, sob o comando do almirante João Mendes Salgado. A esquadra permaneceu 48 dias em Santa Catarina, fundeada junto ao porto de Sambaqui e ao ancoradouro da Fortaleza de Anhatomirim, realizando os mais diversos exercícios e evoluções.

 

Cadáver

Em setembro de 1883 o jornal A Regeneração publica: “Consta-nos que fora sepultado ontem à tarde o cadáver de um imperial marinheiro da guarnição da Divisão Naval de Evoluções que se acha ancorada no porto de Sambaqui, sendo este encontrado na praia de Fora em adiantado estado de putrefação”.

 

Porre

“É notável a disciplina das guarnições desta Divisão; as praças que têm baixado a terra nesta capital, quer venham em serviço, quer licenciadas, tem tido um comportamento exemplar”, segundo O Despertador” (Desterro, 11.8.1883).

Em janeiro de 1884, entretanto, os jornais A Regeneração e O Despertador destacaram o ocorrido com um marinheiro da corveta “Guanabara” que, embriagado, passou a ameaçar os transeuntes, tendo atirado uma criança de 11 anos ao chão. O fato foi testemunhado por um militar que tentou em vão prendê-lo, até a chegada de reforços. O sujeito foi enviado para a cadeia (da Câmara), enquanto companheiros seus conspiravam para retirá-lo à força do local. Como a planejada investida vazou, as autoridades se anteciparam e impediram a ação. Curado do porre na manhã seguinte, foi liberado.

 

Aprendizes de Marinheiros

Mais dentro d’água impossível: durante décadas a Escola de Aprendizes Marinheiros funcionou a bordo de embarcações. Em Relatório de 1883, o presidente da Província Francisco Luiz da Gama Rosa informa:

"Relatório" de 1883 do presidente Francisco da Gama Rosa.

“Relatório” de 1883 do presidente Francisco da Gama Rosa.

 

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