A história dentro d’água (12): monitor da Guerra

28 de maio de 2017 em A história dentro d'água

 

Fotos: Marinha do Brasil/Domínio público.

Fotos: Marinha do Brasil/Domínio público.

Napoleão Level talvez nunca tenha estado em Desterro/Florianópolis, mas suas obras navegaram e detiveram-se no ancoradouro de Sambaqui diversas vezes, sobretudo as embarcações de guerra usadas na campanha do Paraguai. Ele foi responsável pela superioridade marítima do Brasil, com o uso dos barcos monitores que estrearam na Guerra de Secessão dos Estados Unidos (1861-1865).

Tinham cascos de madeira revestidos por couraça de ferro e torre giratória com dois canhões, ficando um pouco acima da linha d’água, o que o tornava um alvo difícil.

Seis dessas embarcações foram construídas pelo primeiro engenheiro naval brasileiro, Napoleão Level, no Arsenal da Corte no Rio de Janeiro. Três delas (“Pará”, o “Rio Grande” e o “Alagoas”) foram utilizadas pelo Barão da Passagem, Delfim Carlos de Carvalho,  capitão de mar e guerra, para transpor a fortaleza paraguaia de Humaitá, com o reforço dos encouraçados “Barroso”, “Bahia” e “Tamandaré”.

Canoas paraguaias abordam o monitor "Alagoas", nas proximidades das baterias do Timbó. Angelo Agostini. 1868. A Vida Fluminense, nº 11. Domínio público.

Canoas paraguaias abordam o monitor “Alagoas”, nas proximidades das baterias do Timbó. Angelo Agostini. 1868. A Vida Fluminense, nº 11. Domínio público.

O encouraçado “Bahia”, desgovernado na ocasião, chegou a abalroar o “Tamandaré” e o “Pará”, que seguiram danificados na missão. O cabo de reboque que mantinha unidos o “Bahia” e o “Alagoas” foi partido por uma mina, fazendo com que o monitor, com a força da correnteza que o arrastava rio abaixo, tivesse que avançar solitário, por cinco vezes, contra o fogo concentrado de Humaitá. O “Alagoas”, o “Tamandaré” e o “Barroso” foram encalhados para não afundarem.

Abordagem do "Barroso" e monitor "Rio Grande". Litografia: Edoardo De Martino. Domínio público.

Abordagem do “Barroso” e monitor “Rio Grande”. Litografia: Edoardo De Martino. Domínio público.

Pouco depois, assim que superou um fogo cruzado em Timbó, a frota brasileira se encontrou com a tropa aliada em Tagy, completando o cerco à fortaleza paraguaia. A conquista definitiva da posição se deu em julho de 1868. (Fonte: Embarcações blindadas. Na Guerra do Paraguai, ultrapassar a Fortaleza de Humaitá não era nada fácil. Para isso, as tropas aliadas usaram navios poderosos. Renato Restier. Revista de História)

 

MAIS sobre Humaitá

Jornal “O Despertador“, Desterro, 11.7.1865.

 

Level. Foto de domínio público.

Level. Foto de domínio público.

Napoleão João Baptista Level

Filho de pais franceses, nasceu em Ilhéus, na Bahia, em 1828. Começou sua vida profissional como aprendiz no Arsenal da Bahia, aos 14 anos de idade. Posteriormente, já no Arsenal Real da Marinha, foi o primeiro brasileiro graduado em Engenharia Naval. Em 1860 foi nomeado Diretor de Construções Navais. Sua passagem pelo Arsenal Real da Marinha marcou o período áureo do estabelecimento, pela intensa atividade de construções e reparos e, principalmente, pelo notável e contínuo progresso técnico por ele introduzido, que transformou o velho Arsenal Colonial em um dos estaleiros avançados no seu tempo. Destacam-se, nesse período, os encouraçados e os monitores da classe ‘Pará’, construídos durante a Guerra do Paraguai. Destacam-se também a corveta ‘Niterói’ (primeiro navio de propulsão a hélice construído no Brasil) e o encouraçado ‘Sete de Setembro’“. (Fonte)

Share on Google+Tweet about this on TwitterShare on FacebookPin on PinterestEmail this to someone