APOCALIPSE BRASILEIRO

20 de maio de 2017 em Emanuel Medeiros Vieira

 APOCALIPSE BRASILEIRO

 

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

 

"Death on a Pale Horse", Benjamin West. Domínio público.

“Death on a Pale Horse”, Benjamin West. Domínio público.

A Ilha de Patmos, no Mar Egeu, foi onde o Profeta João (2 a. -27 d .C) esteve exilado e recebeu as visões do Apocalipse, registradas no “Livro do Apocalipse”, às vezes chamado de “Apocalipse de São João”.

Ele foi o último dos profetas que anunciaram a vinda de Jesus. Também qualificado como o “Precursor” do Messias Prometido.

Faço a introdução, porque “Patmos” foi o nome dado à Operação que devastou a República e revelou mais patifarias e mais roubalheiras (mesmo para os podres padrões da política brasileira – de falta de ética e de corrupção).

 

Revelações devastadoras? Bomba que dizima a presidência da República?

As revelações mostram os porões mais imundos da nossa classe dirigente, sempre aliada ao mercado financeiro e às grandes empresas ..

Quantos trambiques!

Povo? Que povo? Só serve para ser boi de piranha.

Qualquer palavra ou adjetivo ficará aquém das revelações.

É o nosso pobre Apocalipse.

E a gente descobre, na intimidade, o linguajar chulo dessa gente, digno de lupanares (com todo respeito aos bordéis).

Muito já foi dito, está sendo escrito.

E a velocidade dos acontecimentos deixa-nos sempre superados.

O “bom moço” Aécio Neves – se tivesse a dignidade do seu avô Tancredo, não tentaria mais nada: renunciaria, se entregaria à polícia, junto com todos outros envolvidos – de ideologia só formalmente diversa.

Crise ideológica?

Sim. Mas também crise de valores.

(Sei, me chamarão de “moralista”. Já estou acostumado. Não sou cientista político.)

Pois creio que a ética é o grande pilar de nossas vidas – como a solidariedade.

Onde poderemos preservar a esperançadas novas gerações?

E de todas as outras?

 

A quem Michel Temer refere-se quando afirma , no diálogo com Joesley Batista (dono da JBS), que tem dois ministros do STF com ele?

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles, segundo a Revista “Forum” (de primeiro de junho de 2016), citada por Tania Faillace – séria analista – em texto de sua autoria, era membro do Conselho de Administração da JBS, com remuneração de até R$ 40 milhões.

Dou os trâmites por findos.

Sempre disse que nossa arma maior e a palavra (quero usá-la até o fim), mas há momentos em que o nojo é muito forte. Mas é preciso continuar.

(Salvador, maio de 2017)

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