MEDIUNIDADE

17 de maio de 2017 em Emanuel Medeiros Vieira

Ilustração de A. G. S.

Ilustração de A. G. S.

MEDIUNIDADE

 

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

 

Os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”. (Nelson Rodrigues)

 

O assunto deste texto pode estar superado. Mas vamos lá: Moro indaga, Lula diz não.

O advérbio “não” é repetido. O juiz insiste.

Onde está verdade? É a pergunta de filósofos – desde os pré-socráticos. Ou desde sempre.

Com todo respeito às crenças, às pessoas mortas, sugiro que uma caravana de sábios, juízes, advogados, promotores, denunciados – vá a um Centro Espírita.

Chamem os mortos. Busque-se um médium da estatura de um Chico Xavier.

(Peço perdão pelo humor medíocre. Mas não era humor o que pretendia.)

E dona Marisa – com todo o respeito aos mortos – (insisto) dirá se o tríplex era do casal ou não se ela gostava de praia ou não.

(Não gostava de praia? Tal colocação já não parece verdade. Nos tempos de presidência, nos finais de ano, parecendo bem felizes, Lula e dona Marisa vinham aqui para Bahia, para a praia de Inema, local privado, de grande beleza, em Aratu, protegidos da curiosidade alheia por militares. Outros presidentes também faziam isso.)

Para não parecer parcial, indague-se ao senador Aécio Neves o que ele e o juiz Sérgio Moro cochichavam em certa ocasião.

Quando o neto do Dr. Tancredo recebeu a Medalha do Mérito Militar, comecei a ficar preocupado.

Ainda na ditadura, falava-se muito da “volta aos quartéis” – dos militares.

Explicando para as novas gerações: “volta aos quartéis”, significava o regresso dos militares às suas funções constitucionais.

Era uma esperança, um alento.

Insistiram tanto na tal dessa volta que Jaguar disse : “Espero que não seja a minha”.

Por que ele, como tantos brasileiros, fora preso na ditadura.

Que não começassem a prender todo mundo de novo.

Para quem não viveu aquele período de AI-5, de Médici, é muito difícil entender.

O que somos sem memória?

O senhor Fernando Henrique Cardoso e consorte (viva na época), também apreciavam muito as praias privadas, com imensa segurança.)

De Collor, “Breve”, eu não lembro se ia também para tais locais privados.

Apenas uma lembrança: quando ele chamou o Doutor Ulysses de “velho”, de bate pronto,

O honrado senhor respondeu: “Sou velho, mas não sou velhaco. E os remédios que tomo são todos prescritos pelo doutor”.

A frase Ulysses significava muita coisa. Cabe ao generoso leitor interpeta o sentido da mesma – mais no final do pensamento.

Dispersei-me.

Também gostaria de saber quem mandou comprar a refinaria de Pasadena, nos EUA, que causou um prejuízo de mais de 800 milhões de reais aos cofres públicos.

Ah, dona Dilma.

O meu, o teu, o nosso dinheiro, paciente leitor.

Será que foi a dona Marisa?

Jogar a culpa nos mortos é “muito feio”, como dizia uma professora do antigo Curso Primário.

Há pessoas que têm compulsão pela mentira. É doentio. Chegar a ser uma espécie de mitomania.

Termino. Mas creio que, além da violência que assombra o Brasil, o fundamentalismo, o maniqueísmo, os xingamentos, os opróbrios, as ignomínias dirigidas – ou desqualificação pura e simples de quem é contrários às “nossas” posições – afetam a própria democracia, o espírito civilizatório, a convivência generosa.

Sem argumentação, não chegaremos a nada.

Está difícil? Está. Más é preciso um imenso esforço pessoal para que possamos, de uma vez por todas, conviver com posturas alheias, com aqueles que não comungam com nossas posições. Eles não são inimigos. São brasileiros que nem nós (é claro que não estou falando de torturadores, de pedófilos, de traficantes ).

(Salvador, maio de 2017)

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