PÁTRIA AMARGA

16 de junho de 2017 em Emanuel Medeiros Vieira

PÁTRIA AMARGA

 

(Prosa Poética Panfletária)

 

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

 

O amor que não dá certo está sempre por perto(Cacaso – 1944-1987))

Pátria: também amada

meu bom Deus:

O Senhor perdeu o passaporte brasileiro?

não vou me queixar – tudo está secando ao nosso redor: lágrimas, esperanças, projetos

deveria falar de outro jeito?

Berço esplêndido”.

esplêndido?

Colônia, Império às, repúblicas (Velha e Nova)

assaltos ao Poder, golpe militar duradouro – foi-se toda uma geração que sonhava e muito mais – governos civis, Nova República, constituintes que não se cumpriram

trapaças, saques, traições, consensos, jogadas na calada da noite

não contamos – somos de pouca valia

carrego frases feitas, platitudes e lugares-comuns

Dos filhos deste solo és mãe gentil” – certa mãe deixou-nos órfãos?

a gentileza não está nos rostos – estresse diário, caudaloso rio de notícias vis

“Florão da América” – que deveria ser nosso

“Filhos teus não fogem à luta”

Bate-nos um fundo cansaço – como um raio

palavras, partidos, gravatas, jeitinhos, cinismo, piratarias, patifarias e um deus eleito chamado mercado

“seja mais otimista” – ordenam-me! “Ame-o ou deixei-o” (como gostaria…)

Terra adorada”/minha pátria amada/amarga, Brasil (Perdoem-me pelo panfleto.)

(Salvador, junho de 2017)

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