DESMORALIZAÇÃO

14 de junho de 2017 em Emanuel Medeiros Vieira

 

Deusa Minerva. Escultor François G. Adam.

Deusa Minerva. Escultor François G. Adam.

DESMORALIZAÇÃO

 

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

 

Eu rejeito o papel de coveiro de prova viva. Posso até estar no velório, mas não carrego o caixão”. (Ministro Herman Benjamin,, relator no TSE do processo Dilma-Temer).

 

O assunto já foi muito comentado.

Os acontecimentos referentes a diversos tipos de degradação na vida pública brasileira, sucedem-se de uma maneira tão frenética, que algo acontecido há pouco, já fica superado.

Quero falar sobre o julgamento no TSE – Tribunal Superior Eleitoral – da chapa Dilma–Temer.

O “superior” não me sai da cabeça.

Sobre um antigo Conselho Superior de Censura, na ditadura (em sei se ainda existe), Millor Fernandes dizia que, por ser de censura, já não podia ser “superior”…

No universo contaminado em que vivemos, o resultado do julgamento do TSE já era esperado

O chamado voto de minerva (para desempatar um julgamento) foi dado pelo ministro Gilmar Mendes que, segundo muita gente, “apequenou-se” com a sua posição.

Não esqueçamos que Minerva é a deusa romana da sabedoria.

Quanta sabedoria!

Uma grande pizza foi assada no TSE.

Alguém já observou que a campanha de 2014 não foi a única onde houve fraude, “dinheiro ilegal e marketing criminoso”.

Basta lembrar que o programa Bolsa Família foi utilizado como instrumento de chantagem para os pobres deste país.

Campanhas deste gênero ameaçam a democracia.

Já disseram que o TSE, está falido.

Foram “provas amazônicas” e quatro ministros fecharam os olhos para elas.

O voto do ministro relator a favor da cassação da chapa foi denso, profundo, carregado de provas cabais.

Venceu a velha cultura da impunidade.

O TSE criou a jurisprudência do “vale tudo”, onde se pode tudo e não se pune nada.

É claro: louvem-se os votos dos ministros Luiz Fux e Rosa Weber, que acompanharam o relator Herman Benjamin.

Não é preciso escrever mais nada – corro o perigo de cair na redundância.

Mas termino, citando a reflexão de um analista: “Pátria amarga, Brasil! A maioria dos filhos teus que não foge à luta merecia melhor sorte. Mas os que ti governam, sempre privilegiaram a própria sorte, desfrutando com gula das tuas riquezas”.

E o TSE investigou durante dois anos e meios os eventuais crimes cometidos.

Não havia interesse em punir ninguém.

A luta é dura. Mas a punição de grupos pessoas tão poderosos, em curso no Brasil, leva-nos à esperança.

Prrecisamos ficar atentos. As armas que “eles” usam são podres e sórdidas.

Eaaa gente não tem escrúpulos.

Querem que a gente se cale, se abata – e que desanime. Mas continuaremos combatendo a injustiça, a impunidade, o roubo, que não nos importemos com o desprezo por todo o povo brasileiro – principalmente em relação às pessoas mais pobres e humildes.

(Salvador, junho de 2017)

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