NASCE

12 de julho de 2017 em Emanuel Medeiros Vieira

 

NASCE

 

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

 

Artes: A. G. S.

Artes: A. G. S.

“(…) Espero um mínimo de lucidez/na dança dos meus ventos invernais,/embora isso pareça-me improvável,/por falta de navio, âncora ou cais”. (Geraldo Carneiro)

 

A literatura nasce de um estrondo? De um ruído? De um gemido?

Muitos já apostaram em uma dessas palavras.

Nasce de uma esperança contra o Tempo?

A vida só não basta – muitos já disseram.

Nasce de nossa “pressa” contra a “Indesejada”?

Não “desencarno” dessa obsessão: o Tempo.

 

Um pé de goiaba no quintal, vento sul, mar, calças curtas, trapiche. Elixir Paregórico, Pomada Minancôra, um tio que tocava violino, cigarro sem filtro, máquina Singer, fogão de lenha, o relógio de algibeira do meu pai – chapéu, terno preto –, Missa do Galo, Tetrex para “chato” e gonorreia, álbum de fotografias – e até o fim da estrada teria muito do que lembrar.

E preciso sorrir ao pé das fogueiras acesas.

Tainhas em maio, faróis de todos os lugares, “barba de velho” para fazer o presépio natalino, ilha mítica/minha/nossa carne levada aos ventos, “terra à vista, meu capitão”.

“Minha vida daria um livro”, alguém diz. E eu penso: todas as vidas dariam um livro.

Minha sagrada reivindicação no mundo dessacralizado: AMOR PARA TODOS. Pão e amor para todos: tal apelo é um legado? Esperança? Reivindicação. Amor? Sim. Amor. Como o pão nosso de cada dia.

(Salvador, julho de 2017)

 

 

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