HIROSHIMA

5 de agosto de 2017 em Emanuel Medeiros Vieira

 

Bomba atômica sobre Hiroshima. Enola Gay Tail Gunner SSgt. George R. (Bob) Caron U.S. National Archives and Records Administration

Bomba atômica sobre Hiroshima. Enola Gay Tail Gunner SSgt. George R. (Bob) Caron U.S. National Archives and Records Administration

HIROSHIMA

 

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA*

 

Na manhã de 6 de agosto de 1945

a bomba de Hiroshima,

a bomba,

tão clara,

exata,

cirúrgica.

Bomba geométrica,

A bomba vem do céu,

mas não é ave.

A bomba vem de cima,

mas não é Deus.

Desce fumegante,

a bomba não negocia,

a bomba não conversa,

célere, impositiva,

acerta o alvo, cai,

a bomba queima, a bomba dissolve,

a bomba dilacera.

Alguém nasce no ano em que ela cai,

e pensa naquele 6 de agosto de 1945:

segunda-feira – 8h15 da manhã.

Surpresa daqueles milhares de olhos.

Na véspera, a espera do lúdico no matinal domingo,

parques, igrejas, passeios, visitas familiares.

Dia seguinte:

sem tempo para a reflexão – a chegada da não-ave,

emissária de Tanatos,

que cai, cai,

na paisagem limpa (cogumelos atômicos).

 

*Emanuel Medeiros Vieira nasceu em Florianópolis (SC), em 1945.

Morou em Brasília por 38 anos. Atualmente, divide-se entre a primeira Capital do Brasil (Salvador) e a última (Brasília).

Tem vinte (23) livros publicados.

Participou de mais de 50 antologias no Brasil e no exterior.

É detentor de diversos prêmios literários.

Seu romance “Olhos Azuis – Ao Sul do efêmero” (Thesaurus editora/FAC, Brasília, 2009), recebeu o Prêmio Internacional de Literatura, promovido pela União Brasileira de Escritores – UBE, em 2010.

O livro foi contemplado com o “Prêmio Lúcio Cardoso”, para o melhor romance – na avaliação da entidade –, publicado no Brasil em 2009.

Sua obra foi elogiada, entre outros, por Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Mário Quintana, Antônio Olinto, Anderson Braga Horta, Moacyr Scliar,Caio Fernando Abreu, João Gilberto Noll, Luiz Antônio de Assis Brasil, Carlos Appel, Salim Miguel, Hélio Pólvora, Paulo Leminski, Léo Gilson Ribeiro, Lourenço Cazarré, Rubem Mauro Machado, Silveira de Souza, Flávio José Cardozo, Afrânio Coutinho, Antônio Carlos Vilaça e Herculano Farias.

Sua obra foi tema de Dissertação de Mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – em 1997.

 

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