Armando Gonzaga e o restauro das fortalezas

12 de agosto de 2017 em Memória

 

Os esforços para a preservação e restauro das fortalezas da Ilha de Santa Catarina, encabeçados pelo empresário Armando Gonzaga, são relatados em livro  lançado terça-feira (15.8) no Centro Integrado de Cultura.

Em 151 páginas ficamos sabendo como foram conservados os fortes e fortalezas de Santana e Santa Bárbara (Centro), Santa Cruz (ilha de Anhatomirim), Santo Antônio (ilha de Ratones Grande) e São José da Ponta Grossa, além da tentativa de recuperar a de Nossa Senhora da Conceição (ilha de Araçatuba).

La Pastina, Gonzaga, Dalmo e Cyro. Foto: Celso Martins.

La Pastina, Gonzaga, Dalmo e Cyro. Foto: Celso Martins.

A obra se concentra no período inicial do restauro, executado por profissionais de renome como Luis Saia, Cyro Corrêa Lyra, José La Pastina Filho e Dalmo Vieira Filho, todos do Iphan, com o respaldo decisivo de Armando Gonzaga. Posteriormente estas edificações foram assumidas pela UFSC, que as mantém até hoje.

Além de contar com os depoimentos de Gonzaga, La Pastina, Dalmo e Cyro, entre outras fontes, o livro conta com dezenas de fotografias (cerca de 90% inéditas), antigas e atuais, além de outras imagens (desenhos).

 

LANÇAMENTO

No jornal Notícias do Dia: Livro conta a epopeia da reconstrução das fortalezas de Florianópolis. Coluna do jornalista Carlos Damião.

 

Opinião

FORTALEZAS: De Silva Paes a Armando Gonzaga…

Ontem, 10/8, o Carlos Damião divulgou este evento que penso ser importante para a memória catarinense – e do Brasil. Nesta minha trajetória de luta pelo patrimônio cultural (material e imaterial) de nossa região conheci pessoas que cultivam o mesmo sonho e luta: Ana Lucia Coutinho, Antonieta Merces, Miguel João Simão, Joi Cletison Alves, Roberto Tonera, Sergio Luiz Ferreira, Fernando César Gomes Machado, Janice G. Moreira Monguilhott, Nereu do Vale Pereira, Vilson Farias, Eugenio Lacerda, Adauto Jorceli Melo, entre muitos, mas gostaria de dar destaque, hoje, nesse espaço ao trabalho de Armando Luiz Gonzaga.

Gonzaga que conheci já no final de sua jornada. A saúde já debilitada não o retirou da luta pela preservação das fortalezas que guarnecem/guarneciam o sistema defensivo pensado pelo Brigadeiro José da Silva Paes, onde está incluída a Fortaleza de Santa Cruz do Anhatomirim – para mim, um dos lugares mais belos do mundo. Abandonadas pela Marinha do Brasil quando deixaram de servir para fins militares, as fortalezas se constituem em um conjunto magnífico de construções coloniais e neoclássicas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) desde 1930. Sem o empenho de Armando Luiz Gonzaga, e do Projeto Fortalezas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) não teríamos esse patrimônio recuperado.

Para nós gancheiros, a Fortaleza de Santa Cruz do Anhatomirim tem uma especial condição. Do imponente forte que assiste a Ilha do Arvoredo e a Armação da Piedade, bem como parte da Ilha de Santa Catarina e porção continental, a Província de Santa Catarina foi governada. Assim, Silva Paes é o primeiro gancheiro ilustre, defensor de Anhatormirim e de Santa Catarina. É uma pena que essa parte da história seja negligenciada nos planos de ensino das escolas da região. Governador Celso Ramos, Biguaçu, Tijucas, São José e Florianópolis deveriam discutir o tema com os alunos das redes municipal e estadual.

Para mim, Armando Gonzaga deu continuidade, em outro tempo, ao trabalho de Silva Paes – e ele fez isso sem qualquer egoísmo, coletivamente, lutando muito até que nos deixasse. Hoje, o jornalista Celso Martins, nosso amigo de pesquisas e apoio na Casa dos Açores de Santa Catarina faz parte desse importante projeto cultural – que vai além de Santa Catarina… (Por William Wollinger Brenuvida/Facebook)

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