PARALISADOS PELO EXCESSO?

14 de agosto de 2017 em Emanuel Medeiros Vieira

PARALISADOS PELO EXCESSO?

 

Para os “rapazes” de 1964

Foto: Celso Martins.

Foto: Celso Martins.

Para todos os amigos que ainda “carregam” algum sonho (não pecuniário)

Cada leitor é, quando lê, um leitor de si mesmo”. (Marcel Proust – 1871–1922)

O preço da graça que recebemos é nos mantermos fiéis a ela, e nos tornarmos os porta-vozes dela, a linguagem dela. A graça quer aceder ao mundo através da nossa boca que fala”. ´(Hélio Pelegrino– 1924–1988)

 

Por Emanuel Medeiros Vieira

 

A sobrecarga de informação recebida por usuários de internet está mais ligada ao consumo do que à produção, na visão de Luli Radfahrer, professor de comunicação digital da USP.

A pessoa pode agora produzir o mesmo que três antigamente, mas não está recebendo o triplo, e pode sentir-se menos produtiva do que nunca, acredita David Allen. “Pode parecer paradoxal, mas as novas ferramentas de produtividade estão abalando a nossa capacidade de fazer as coisas, e nos deixando paralisados pelo estonteante número de opções que oferecem”, ele reforça. O excesso de imagens está impedindo que “enxerguemos”? Quero dizer: que hierarquizemos, que separemos o joio do trigo, que consigamos chegar ao NÚCLEO DO QUE VERDADEIRAMENTE IMPORTA.

Sim, ACELERAMOS A COMUNICAÇÃO.

Mas a temos aprofundado?

Não tenho respostas prontas.

Alguém tem?

Há uma sensação generalizada, de dúvida, de perplexidade em muitos corações e mentes.

Percebe-se uma espécie de ”desencantamento do mundo”, usando a expressão de Max Weber, ainda mais em um universo pós-utópico e, muitas vezes, árido.

Não é nostalgia. Conseguimos muito. Mas o reino do “comprar” basta ao ser humano?

Subir para uma classe é poder comprar mais uma geladeira nas Casas Bahia? Na escola, deveríamos aprender a pensar. Não apenas a usar tecnologias.

Mas ensinar a pensar é muito mais difícil. Não? Ficamos reduzidos à pequena política, sempre vil e mesquinha. Não estou me referindo a ela: maniqueísta e interesseira – e que não eleva o ser humano. Nosso cotidiano está saturado de muita coisa que não importa.

É preciso – como disse alguém –, não sucumbir à dispersão promovida pelas infinitas distrações nem à banalidade de opinião.

Pensemos. Reflitamos. Nossa jornada é finita: a gente pode esperar. O tempo? Não.

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