ARTISTA ELI HEIL MUDOU DE ENDEREÇO

12 de setembro de 2017 em Memória

 

Por Celso Martins*

 

Carnaval de 2012 em Santo Antônio. Foto: Milton Ostetto.

Carnaval de 2012 em Santo Antônio. Foto: Milton Ostetto.

“A Eli vai colorir o universo”, gritou alguém no meio do aglomerado de parentes, amigos e admiradores presentes ao sepultamento da artista Eli Heil no Cemitério da Irmandade do Divino de Santo Antônio de Lisboa. O ato realizado por volta das 16 horas de segunda-feira (11.9), com o céu encoberto por nuvens, foi marcado pela emoção.

Centenas de pessoas passaram pela capela mortuária Nossa Senhora de Lourdes desde o começo da noite de domingo (10.9), quando circulou a notícia do falecimento. Na segunda, o padre Nelson Francisco Mariano, da igreja de Santa Teresinha (Prainha), encomendou a alma com orações. Nadir Branco (Didi), residente nas imediações do Mundo Ovo, amiga de Eli, chegou ao lado do caixão. A atriz Luiza Lorens leu um poema e enfatizou a importância da obra de Eli.

Foto: Celso Martins.

Foto: Celso Martins.

O artista Cláudio Andrade, também vizinho de Eli, comentou: “Apesar de ser a maior entre os maiores, guardava simplicidade. Assim como recebia um Hans Donner ou um príncipe, recepcionava com a mesma atenção as pessoas simples da região”.

Teresa Collares, ex-dirigente do Museu de Arte Moderna de Santa Catarina (MASC), foi na mesma linha: “Ela sempre nos recebia com os braços abertos, saudando a todos, improvisando versos, mostrando as suas criações”. Era uma artista em produção permanente, num “jorro criativo” raramente observado.

Ao ser colocada no túmulo número 264, novas manifestações e orações, aplausos, silêncio e conversas sobre a nuvem carregada que paira sobre os artistas visuais locais – os falecimentos de Nancy Bortolin e da ceramista Cléa Espíndola, recentemente de Saulo Falcão, e a internação de Rodrigo de Haro na UTI do Caridade, sendo a “morte” anunciada nas redes sociais (ele já está fora de perigo). Agora, Eli Heil, que foi para o céu colorir o universo.

 

Eli é entrevistada pela jornalista Caru Dionísio para o portal Daqui na Rede. Foto: Celso Martins.

Eli é entrevistada pela jornalista Caru Dionísio para o portal Daqui na Rede. Foto: Celso Martins.

Origens

Eli Malvina Diniz Heil nasceu em 1929 no então distrito de Santo Amaro da Imperatriz, no município de Palhoça, filha de Clemente Diniz, intendente e depois prefeito. Na adolescência foi a Verônica na Procissão do Senhor Morto, durante muitos anos, no tempo do frei Fidêncio Feldmann. Cuidava da voz com gemada, pois também cantava no coral Santa Cecília.

Naquele tempo, ainda em Santo Amaro, Eli trabalhou como balconista na loja Berber (1947). Em seguida passou a atuar como professora de Educação Física no Colégio Estadual Nereu Ramos.

Veio morar em Florianópolis em 1955, após se casar com o comerciário José Urbano Heil. Seis anos mais tarde iniciou a carreira de artista plástica/visual, realizando a primeira exposição na Galeria Baú (1962). No início da década de 1980 fixou residência em Santo Antônio de Lisboa, criando o Mundo Ovo.

*Celso Martins é bacharel em História e jornalista, editor do portal Daqui na Rede.

 

Carnaval de 2012 em Santo Antônio. Foto: Celso Martins.

Carnaval de 2012 em Santo Antônio. Foto: Celso Martins.

SOBRE A PERDA

Carlos Damião.

Eli Heil, inclassificável: artistas, críticos de arte e colecionadores falam do legado de Eli para a arte do Brasil“, Por Carol Macário e Yasmine Holanda Fiorini (DC).

Eli Heil na Enciclopédia Itaú Cultural.

 

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